Durante entrevista concedida à rádio Metrópole, em Salvador, nesta quinta-feira (05), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que a população está “vendo como ele vem governando o estado”, destacando, segundo suas próprias palavras, um governo pautado pela transparência, segurança e tranquilidade. A declaração, no entanto, gerou reações e críticas por colidir com indicadores e fatos recentes que expõem um cenário bem diferente daquele apresentado pelo chefe do Executivo estadual.
No campo da segurança pública, a fala do governador ocorre em um momento especialmente sensível. A Bahia ocupa atualmente a segunda posição no ranking dos estados mais violentos do Brasil, de acordo com levantamentos nacionais amplamente divulgados. A realidade nas ruas reforça essa estatística: apenas um dia antes da entrevista, mais um policial militar foi morto durante um confronto com criminosos, na madrugada da última quarta-feira (04), no bairro do Vale das Pedrinhas, em Salvador. Com esse caso, chega a três o número de policiais assassinados no estado em menos de um mês, o que intensifica a sensação de insegurança e fragiliza o discurso oficial de controle da criminalidade.
Na área da saúde, outro ponto sensível omitido no discurso governamental é a grave situação da fila da regulação. Pacientes em diversas regiões da Bahia enfrentam longas esperas por exames, cirurgias e internações, algumas delas se arrastando por meses. O problema tem sido alvo constante de denúncias de usuários do sistema público, familiares e até de profissionais da saúde, sem que medidas estruturantes consigam reverter o quadro.
Já quando o governador fala em transparência, críticos apontam contradições ainda mais evidentes. Desde 2023, o governo da Bahia contratou uma série de empréstimos que, somados, já ultrapassam a marca de R$ 26 bilhões. As operações de crédito, aprovadas em ritmo acelerado pela Assembleia Legislativa, têm sido questionadas pela oposição e por setores da sociedade civil, que cobram maior clareza sobre a destinação dos recursos, prazos, impacto no endividamento do estado e retorno efetivo para a população.
Para adversários políticos e analistas, o discurso de Jerônimo Rodrigues tenta construir uma narrativa de estabilidade administrativa que não encontra respaldo no cotidiano dos baianos, marcado pelo avanço da violência, gargalos históricos na saúde pública e dúvidas sobre a condução financeira do estado. A entrevista, em vez de reforçar a imagem de um governo seguro e transparente, acabou evidenciando o descompasso entre a retórica oficial e a realidade enfrentada pela população da Bahia.

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