O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), admitiu publicamente estar preocupado com o cenário eleitoral para a disputa pelo governo do estado em 2026. Em entrevista recente ao jornal Folha de S. Paulo, o petista reconheceu o impacto das pesquisas de intenção de voto que apontam o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), na liderança do levantamento.
Segundo Jerônimo, os números acenderam um sinal de alerta dentro do próprio grupo político, sobretudo diante do crescimento de sua taxa de rejeição. Uma ala do partido defende que, caso ele não consiga reduzir esse índice, sua candidatura à reeleição seja inviabilizada. “Hoje, o único nome colocado no nosso grupo sou eu”, declarou, ao mesmo tempo em que reconheceu a existência de comentários internos que citam o ex-governador da Bahia e atual ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, como possível alternativa para a disputa.
Na entrevista, Jerônimo também destacou que aposta no apoio político de prefeitos aliados como um dos principais trunfos para tentar reverter o atual cenário. De acordo com ele, o número de gestores municipais que têm declarado apoio ao seu governo será fundamental na articulação política e na ampliação de sua base eleitoral nos próximos meses.
O governador afirmou ainda que pretende intensificar o ritmo de trabalho e de entregas até o último dia permitido pela legislação eleitoral. A estratégia, segundo Jerônimo, é cumprir promessas, acelerar obras e programas e, assim, tentar melhorar a avaliação de seu governo junto à população baiana antes do início oficial da campanha.
Outro ponto de destaque da entrevista foi a admissão explícita de que sua permanência no poder está diretamente ligada à força política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Jerônimo reconheceu que depende fortemente do apoio do presidente para sustentar sua candidatura e manter a hegemonia do PT no comando do governo da Bahia, estado governado pelo partido há quase duas décadas.
As declarações expõem, pela primeira vez de forma mais direta, a preocupação do governador com o avanço da oposição e revelam um cenário de incertezas dentro do próprio grupo governista, a pouco mais de um ano do início oficial da corrida eleitoral de 2026.

Comentários: