O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), admitiu que o estado ainda convive com milhares de pessoas em situação de fome, mesmo após quase duas décadas de administrações petistas à frente do Palácio de Ondina. A declaração foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na qual o governador reconheceu que mais de meio milhão de baianos enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa diariamente.
Segundo Jerônimo, cerca de 700 mil pessoas vivem atualmente em situação de insegurança alimentar grave no estado. A fala contrasta com declarações anteriores do próprio governador, que chegou a afirmar que seu governo teria retirado pouco mais de 2 milhões de pessoas da fome desde o início da gestão.
Durante a entrevista, o petista foi questionado sobre o que teria faltado para o cumprimento das promessas de campanha relacionadas ao combate à fome na Bahia. Em resposta, Jerônimo afirmou que a situação “não o deixa tranquilo”, mas evitou aprofundar a análise sobre as causas do problema ou apresentar dados concretos sobre políticas públicas específicas voltadas para a erradicação da fome.
Na sequência, o governador mudou o foco da resposta e passou a destacar investimentos em outras áreas, citando a construção de escolas, hospitais e estradas. Segundo ele, a Bahia herdou um cenário de carências estruturais nessas áreas, o que teria exigido esforços concentrados do governo estadual. Jerônimo, no entanto, não detalhou como essas ações impactam diretamente no enfrentamento da fome e da insegurança alimentar.
A declaração reacende o debate sobre os resultados das políticas sociais adotadas na Bahia ao longo dos quase 20 anos de governos do PT. Apesar dos sucessivos discursos de prioridade ao combate à pobreza e à fome, os números admitidos pelo próprio governador revelam que o problema permanece como um dos principais desafios sociais do estado.
A Bahia figura, historicamente, entre os estados com maiores índices de desigualdade social do país, cenário que segue sendo alvo de críticas por parte da oposição, que questiona a efetividade das gestões petistas diante da permanência de indicadores considerados alarmantes.

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