Uma declaração do senador Jaques Wagner (PT) nesta terça-feira (06) provocou forte repercussão nos bastidores da política baiana e acendeu o sinal de alerta dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Em entrevista à Rádio Sociedade, o petista afirmou que ele e o senador Angelo Coronel (PSD) disputarão a reeleição ao Senado em 2026, contrariando o discurso que vinha sendo trabalhado pelo PT em defesa da chamada “chapa puro-sangue”, formada exclusivamente por nomes da legenda.
“Tem uma vez, em quatro anos, que é eleito um só [senador], e agora são dois, que sou eu e Angelo Coronel que vamos tentar a reeleição”, afirmou Wagner durante a entrevista. A fala foi interpretada como um verdadeiro “balde de água fria” nas articulações conduzidas pelo PT, que vinha desenhando um arranjo político com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) buscando a reeleição ao Palácio de Ondina, Jaques Wagner como um dos candidatos ao Senado e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), como o segundo nome petista para a Casa Alta.
A declaração de Wagner, no entanto, coloca em xeque esse planejamento. Ao sinalizar apoio à reeleição de Angelo Coronel, aliado histórico do grupo governista, mas filiado ao PSD, o senador petista enfraquece a estratégia de uma chapa exclusivamente petista e abre espaço para um redesenho do tabuleiro eleitoral de 2026.
Nos bastidores, a avaliação é de que a fala impacta diretamente as pretensões de Rui Costa. Caso não haja espaço para sua candidatura ao Senado, o caminho natural para o ex-governador seria uma nova disputa pelo governo da Bahia. Esse cenário, por sua vez, colocaria Jerônimo Rodrigues em posição delicada, podendo ser alijado da tentativa de reeleição antes mesmo do início oficial da campanha.
Dentro do PT, a leitura predominante é de que a declaração de Wagner expôs divergências internas que vinham sendo tratadas de forma reservada. A manutenção da aliança com o PSD, partido de Angelo Coronel, sempre foi vista como estratégica para a sustentação política do governo, mas colide com o projeto de fortalecimento do PT no estado, especialmente após a chegada de Jerônimo ao comando do Executivo baiano.
A movimentação também é interpretada como um gesto de cautela de Jaques Wagner, que busca garantir sua permanência no Senado sem depender exclusivamente de uma composição partidária mais restrita. Ao mesmo tempo, a sinalização pública antecipa um debate que tende a ganhar força nos próximos meses: a disputa interna pela liderança do grupo governista e a definição de quem, de fato, comandará o projeto político do PT na Bahia em 2026.
Enquanto isso, o Palácio de Ondina e a cúpula petista adotam cautela. Publicamente, a orientação é evitar comentários que aprofundem o desgaste. Nos bastidores, porém, a declaração de Wagner já é vista como um divisor de águas na construção da chapa majoritária e um indicativo de que a unidade do grupo governista estará longe de ser um consenso automático.

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