O clima político no interior da Bahia tem se tornado cada vez mais tenso diante do aumento de prefeitos e lideranças regionais que vêm tornando públicas suas frustrações com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). O motivo central das queixas é o acúmulo de promessas não cumpridas, feito que, segundo parlamentares da própria base aliada, já provoca desgaste na relação com os municípios e influencia negativamente a popularidade do chefe do Executivo estadual.
Deputados governistas ouvidos reservadamente avaliam que o cenário é resultado de um excesso de compromissos assumidos pelo governador ao longo do último ano. Eles afirmam que Jerônimo “exagerou demais nas promessas”, sobretudo em anúncios que envolvem cifras consideradas “estratosféricas” para o atual orçamento estadual. “Jerônimo precisaria de um orçamento no mínimo três vezes maior para cumprir tudo que está prometendo. Tá ficando feio”, reconheceu um parlamentar, sob condição de anonimato.
Essa avaliação interna encontra eco em manifestações públicas recentes de prefeitos que, cansados da espera, decidiram ir às redes sociais para cobrar entregas. O caso mais recente é o do prefeito de Encruzilhada, Dr. Pedrinho, que, em áudio amplamente compartilhado, desabafou dizendo que “ninguém aguenta mais promessa”, ao criticar obras e investimentos anunciados pelo governo que ainda não saíram do papel.
De acordo com lideranças do interior, a frustração é generalizada e já afeta diretamente a confiança no governo estadual. Alguns parlamentares apontam que a queda na popularidade de Jerônimo em diversas regiões decorre não apenas do atraso nas entregas, mas da expectativa criada por promessas que, na prática, não teriam viabilidade financeira.
A tendência, segundo analistas políticos ouvidos pela reportagem, é de que a pressão aumente nos próximos meses, especialmente em municípios que aguardam recursos para infraestrutura, saúde e mobilidade. Prefeitos afirmam que continuarão cobrando publicamente o cumprimento dos compromissos, enquanto a base governista tenta minimizar o desgaste e reorganizar a comunicação com os gestores municipais.

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