O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros e enviou um recado direto ao presidente norte-americano Donald Trump. As declarações foram feitas em um artigo de autoria do petista publicado neste domingo (26) pelo jornal The Washington Post.
No texto, intitulado “Lula para Trump: ninguém nos derrotará por meio de mentiras”, o presidente brasileiro classificou as medidas comerciais como injustas e afirmou que a política adotada pela Casa Branca representa um “erro estratégico”, capaz de prejudicar tanto a economia norte-americana quanto a relação histórica entre os dois países.
Segundo Lula, as novas tarifas aplicadas aos produtos brasileiros variam entre 12,5% e 37,5%, apesar das reuniões realizadas entre representantes dos dois governos e dos argumentos técnicos apresentados pelo Brasil. O presidente também destacou que os Estados Unidos acumulam um superávit de cerca de US$ 428 mil milhões no comércio de bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.
Para o petista, a sobretaxa também poderá atingir diretamente os próprios consumidores norte-americanos. Lula argumentou que diversos setores industriais dos Estados Unidos dependem de matérias-primas e produtos brasileiros, citando alimentos, calçados, peças automotivas, móveis e artigos têxteis, que poderão ficar mais caros com a aplicação das novas alíquotas.
Ainda no artigo, Lula afirmou que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram ao menor nível desde 1997. De acordo com os dados apresentados por ele, o comércio entre Brasil e Estados Unidos recuou 12,8% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, as trocas comerciais brasileiras cresceram 6,1% com a União Europeia e 15,9% com a China.
O presidente brasileiro também acusou o governo Trump de tentar impor condicionamentos ideológicos à relação bilateral e de utilizar questões comerciais para interferir no cenário político brasileiro. Para Lula, o Brasil manterá relações com diferentes países, desde que sua soberania seja respeitada.
“O destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência”, escreveu.
Lula também rebateu argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas. O presidente defendeu o Pix, afirmando que o sistema de pagamentos não discrimina empresas dos Estados Unidos, e declarou que o combate a crimes praticados nas plataformas digitais não representa uma ameaça à liberdade de expressão.
Apesar do tom crítico, Lula afirmou que o governo brasileiro continua disposto a negociar e pediu a manutenção de “um diálogo aberto e construtivo” entre as duas maiores economias das Américas. O petista, no entanto, ressaltou que qualquer entendimento deverá ser baseado na reciprocidade e no respeito à autonomia brasileira.
As tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras entraram em vigor na última quarta-feira (22). A medida atinge produtos que representam aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, embora itens como café, carne bovina, sumo de laranja, componentes aeronáuticos e determinados produtos energéticos tenham sido poupados.
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