A Bahia figura entre os quatro estados brasileiros onde há mais pessoas recebendo o Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Os dados, referentes ao mês de agosto de 2025, revelam um retrato preocupante sobre o desenvolvimento socioeconômico do estado, governado pelo Partido dos Trabalhadores há quase 20 anos.
De acordo com números oficiais, a Bahia contabilizava 2.198.037 trabalhadores com carteira assinada, enquanto 2.383.390 pessoas recebiam o Bolsa Família no mesmo período. A diferença reforça a forte dependência do programa social e expõe as dificuldades enfrentadas por milhões de baianos para ingressar ou permanecer no mercado formal de trabalho.
O estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de Maranhão, Pará e Piauí — os três com maiores proporções de beneficiários em relação ao total de trabalhadores formais.
Outro dado que chama atenção é o baixo índice de ascensão social entre os beneficiários. Apenas uma pequena parcela conseguiu melhorar de condição econômica a ponto de atingir renda familiar per capita de até R$ 706, valor que permite ao beneficiário receber metade do benefício por até um ano antes de deixar completamente o programa. O ritmo de transição para fora da dependência social segue lento, evidenciando que os avanços econômicos não estão alcançando as famílias mais vulneráveis.
O levantamento também aponta que, entre os 10 estados com maior dependência do Bolsa Família, seis estão no Nordeste e quatro na região Norte, reforçando a concentração histórica da pobreza e das desigualdades regionais no país.
Especialistas afirmam que os dados refletem desafios estruturais antigos, como baixa oferta de empregos formais, desigualdade de renda, informalidade elevada e dificuldades para impulsionar a economia regional. O cenário reacende o debate sobre políticas públicas de desenvolvimento e geração de oportunidades que possam romper o ciclo de dependência de programas sociais no estado.

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