As movimentações para a formação da chapa majoritária governista na Bahia ganharam novos contornos nos bastidores. O partido Avante, comandado no estado pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto, intensificou tratativas com o PT com o objetivo de ocupar a vaga de vice-governador atualmente preenchida pelo MDB, legenda liderada pelos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima.
Fontes ligadas às negociações indicam que Carletto deve apresentar, nos próximos dias, uma proposta formal ao Partido dos Trabalhadores defendendo uma reconfiguração da aliança. O argumento central seria estratégico: no atual cenário político, uma composição mais estreita com o Avante poderia oferecer maior estabilidade e capilaridade eleitoral à chapa governista do que a manutenção do MDB na posição de vice.
A movimentação ocorre em um contexto de incerteza. Embora o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) ocupe atualmente o posto, o PT ainda não oficializou a chapa para as eleições deste ano. O anúncio, segundo o próprio governador Jerônimo Rodrigues, está previsto apenas para abril.
Enquanto o Avante avança nas articulações, o MDB reage. Recentemente, Geddel Vieira Lima, uma das principais lideranças da sigla na Bahia, foi enfático ao afirmar que a vaga ocupada por Geraldo Júnior é “inegociável”. O recado foi direcionado ao núcleo petista: caso o partido seja retirado da chapa majoritária, o MDB poderá rever sua permanência na base e até mesmo desembarcar do projeto eleitoral governista.
A tensão revela um jogo político delicado. De um lado, o PT busca consolidar uma composição capaz de ampliar seu arco de alianças e fortalecer o palanque estadual. De outro, precisa administrar o peso histórico e a estrutura do MDB, tradicional aliado em disputas majoritárias.
O cenário ganha ainda mais complexidade diante das especulações sobre a própria cabeça de chapa. Jerônimo Rodrigues, embora seja o nome natural à reeleição, enfrenta rumores persistentes de possível substituição pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, que teria o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a candidatura, caso o desenho político assim exija.
Com múltiplas variáveis em jogo — vice indefinido, pressões internas e a possibilidade de mudança na liderança da chapa — o tabuleiro governista segue em aberto. Até abril, as negociações prometem se intensificar, com o PT no centro das decisões que poderão redefinir o equilíbrio de forças na base aliada e impactar diretamente o cenário eleitoral baiano.

Comentários: