O ato pró-democracia convocado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nesta quinta-feira (08), em alusão aos três anos dos ataques à Praça dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2022, foi marcado por baixa adesão e acabou evidenciando o esvaziamento da mobilização. A manifestação tinha como objetivo reafirmar a defesa das instituições democráticas, mas ficou aquém da expectativa dos organizadores.
Mesmo com a presença de ministros de Estado, parlamentares da base governista, governadores aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de integrantes do Judiciário e representantes das Forças Armadas, o ato reuniu um público reduzido na Praça dos Três Poderes, em Brasília. No local, a mobilização lembrava mais um comício partidário da esquerda do que um evento institucional de amplo alcance.
Durante o ato, foi possível observar a predominância de bandeiras e símbolos do PT, do PCdoB, do PSOL e de centrais sindicais, o que reforçou a percepção de que o evento teve um viés político-partidário. A presença limitada de apoiadores e a ausência de uma mobilização popular mais ampla foram apontadas como sinais do fracasso da convocação.
Outro destaque negativo foi a ausência dos presidentes do Congresso Nacional e da Câmara dos Deputados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ambos ligados ao Centrão, não compareceram ao evento. Segundo aliados, a decisão se deu pelo entendimento de que a manifestação tinha caráter político, e não institucional, o que inviabilizou a participação das duas principais lideranças do Legislativo, sobretudo em um ano eleitoral.
A ausência dos chefes das Casas Legislativas reforçou o esvaziamento político do ato e expôs dificuldades do governo e do PT em construir consensos mais amplos em torno da narrativa de defesa da democracia, especialmente fora do campo ideológico da esquerda.

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