O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), adotou nesta sexta-feira (16) um discurso totalmente diferente do que vinha pregando em relação ao enfrentamento policial à criminalidade, marcando uma mudança significativa de postura em comparação às declarações feitas nas últimas semanas. Até então, o chefe do Executivo baiano vinha se posicionando de forma contrária à morte de suspeitos em confrontos com forças de segurança, defendendo que a atuação policial deveria priorizar a captura e a prisão dos criminosos.
A inflexão no tom ocorreu após o assassinato do capitão da Polícia Militar Osniésio Pereira Salomão, de 37 anos, morto durante uma tentativa de assalto na noite desta quinta-feira (15), na Avenida Contorno, em Salvador. O caso gerou forte comoção entre integrantes da segurança pública e repercussão imediata no meio político.
Ao comentar o crime, Jerônimo afirmou que o Estado não irá recuar diante da violência e deixou claro que não aceitará a perda de agentes de segurança em confrontos. “Nós não vamos permitir de forma nenhuma que, em confronto, os nossos caiam. Se tiver de cair, que caiam os bandidos. Nós haveremos de ser firmes com isso. Nós não vamos abrir mão”, declarou o governador.
A fala contrasta com discursos anteriores do próprio Jerônimo, nos quais reforçava a tese de que “bandido bom é bandido preso”, sinalizando uma linha mais cautelosa quanto ao uso letal da força por parte da polícia. A mudança foi interpretada por setores políticos e da sociedade como uma resposta direta ao agravamento da sensação de insegurança no estado e à pressão crescente sobre o governo.
Ciente de que o episódio pode intensificar críticas à condução da política de segurança pública na Bahia, o governador pediu que a morte do capitão Osniésio não seja explorada como instrumento de embate partidário. Segundo ele, o momento deve ser de respeito à família da vítima e de união institucional no enfrentamento ao crime. Jerônimo solicitou ainda que o caso não seja transformado em manifestação política ou debate eleitoral.
A morte do oficial da PM reacende o debate sobre a escalada da violência em Salvador e em outras regiões do estado, além de colocar novamente a segurança pública no centro das discussões sobre a gestão estadual, especialmente em um cenário de cobranças por resultados mais efetivos no combate à criminalidade.

Comentários: