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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025

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Lula defende o SUS, mas basta sentir uma dor de barriga e logo corre para o Sírio-Libanês

Lula não é um cidadão comum no debate público sobre saúde — é um dos principais símbolos políticos da defesa do SUS, frequentemente exaltado por ele como exemplo de eficiência, inclusão e orgulho nacional

Lula defende o SUS, mas basta sentir uma dor de barriga e logo corre para o Sírio-Libanês
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Mais uma vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se vê no centro de um debate que ele próprio ajudou a construir. Defensor histórico e vocal do Sistema Único de Saúde, Lula recorre novamente ao atendimento privado de alto padrão para cuidar da própria saúde, no Hospital Sírio-Libanês, onde passará, nesta sexta-feira (24), por procedimentos considerados simples: a retirada de uma queratose na cabeça e uma infiltração no punho.

Isoladamente, a escolha poderia ser vista como algo corriqueiro. Afinal, qualquer cidadão que tenha recursos busca, em regra, o melhor atendimento disponível. O problema começa quando se observa o contraste entre a prática e o discurso. Lula não é um cidadão comum no debate público sobre saúde — é um dos principais símbolos políticos da defesa do SUS, frequentemente exaltado por ele como exemplo de eficiência, inclusão e orgulho nacional.

A pergunta que inevitavelmente surge — e que ecoa nas ruas e nas redes sociais — é direta: se o SUS é tudo isso, por que não utilizá-lo, especialmente em procedimentos de baixa complexidade?

Não se trata apenas de uma escolha pessoal. Trata-se de coerência política. Lideranças não são cobradas apenas pelo que dizem, mas pelo que fazem. E quando há um abismo entre essas duas dimensões, abre-se espaço para a desconfiança. O discurso passa a soar conveniente — forte no palanque, mas ausente na prática.

É justamente nesse ponto que o episódio ganha peso simbólico. Lula não é o único político a optar por hospitais privados, nem será o último. Mas sua trajetória está profundamente ligada à narrativa de valorização do sistema público. Isso eleva o nível de cobrança. Quanto maior o discurso, maior a expectativa de exemplo.

Defensores do presidente argumentam que questões de segurança, privacidade e logística justificam a escolha. É um ponto válido — mas não suficiente para encerrar o debate. Afinal, o que está em jogo não é apenas a conveniência de um chefe de Estado, mas a mensagem transmitida à população.

Porque, no fim das contas, o cidadão comum não tem essa opção. Ele depende do SUS não por convicção ideológica, mas por necessidade. E ao ver seus principais defensores optarem por outro caminho, a sensação que fica é desconfortável: o sistema que é apresentado como modelo parece não ser, na prática, a primeira escolha de quem pode decidir.

Talvez a discussão mais honesta não seja se Lula pode ou não se tratar no Sírio-Libanês. Ele pode. A questão central é outra: o SUS defendido no discurso político é, de fato, o SUS vivido pela população — e confiado pelas próprias autoridades?

Enquanto essa resposta não for clara, o debate continuará — e com razão.

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