Saúde
Tempo de espera na fila da regulação piora sob governo Jerônimo Rodrigues, aponta relatório do TCE
Além disso, a auditoria do TCE-BA identificou falhas administrativas que impactam o funcionamento da regulação no estado

Um relatório divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) apontou um agravamento significativo no tempo de espera dos pacientes que dependem da regulação estadual de saúde. A auditoria revelou que, entre 2019 e 2024, houve piora no tempo de atendimento em 14 das 26 especialidades monitoradas pelo órgão, evidenciando um cenário de crescente dificuldade no acesso a procedimentos médicos em diversas regiões do estado.
Segundo o levantamento, o tempo médio de espera para realização de uma cirurgia torácica — uma das filas mais críticas — mais que dobrou no período analisado. Se antes o paciente aguardava cerca de quatro dias para conseguir o procedimento, agora precisa esperar, em média, 10,4 dias. Em algumas regiões, a demora pode ultrapassar 17 dias até que o atendimento seja efetivado.
A auditoria também destacou atrasos expressivos em consultas especializadas. As maiores filas envolvem as áreas de Hematologia (7,8 dias de espera), Oncologia (6,7 dias), Urologia (5,7 dias) e Pneumologia (5,6 dias). Mesmo com a ampliação no número de leitos hospitalares ao longo dos últimos anos, o TCE-BA concluiu que a rede estadual permanece insuficiente para reduzir os tempos de resposta e atender à crescente demanda.
De acordo com o relatório, apenas nove especialidades apresentaram redução no tempo de espera, enquanto três permaneceram estáveis. O restante demonstrou piora significativa, reforçando o desafio estrutural enfrentado pela saúde pública baiana.
O presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) reconhece que, apesar dos investimentos feitos pelo governo, como a inauguração de novos hospitais e iniciativas para interiorizar os serviços de saúde, a demora no processo de regulação é um problema real e persistente. Entre as causas apontadas, ele destaca a baixa cobertura da atenção básica — que contribui para o agravamento de doenças — além de outras limitações de ordem estrutural.
Além disso, a auditoria do TCE-BA identificou falhas administrativas que impactam o funcionamento da regulação no estado. Entre elas estão a predominância de servidores terceirizados, a falta de médicos e profissionais qualificados nas centrais regionais e a ausência de concursos públicos desde 2019, fatores que comprometem a continuidade, a eficiência e a qualificação das equipes responsáveis pelo atendimento.
O relatório reforça a necessidade urgente de revisão de processos, ampliação da atenção básica e investimento em pessoal para garantir que os baianos tenham acesso mais rápido e eficiente aos serviços de saúde, reduzindo o sofrimento e os riscos enfrentados pelos pacientes que dependem do sistema de regulação estadual.
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