Saúde
Jerônimo culpa prefeitos do interior pelo aumento na fila da regulação na Bahia
“Se o município fizer bem feito, muita gente não vai precisar, com um dedo desmentido, com um mal-estar na barriga, ir para um hospital de alta complexidade”, afirmou o governador, ao justificar a superlotação das unidades estaduais

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a gerar repercussão ao comentar o avanço expressivo na fila da regulação no estado, que registrou aumento superior a 210% nos últimos anos. Os dados foram levantados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/BA), que apontou em relatório oficial um crescimento de 213% no tempo médio de espera entre 2019 e 2024 — um salto que intensificou a crise no acesso a procedimentos e internações de média e alta complexidade.
Em declaração recente, Jerônimo atribuiu parte desse problema aos gestores municipais do interior. Segundo o petista, muitos dos atendimentos que hoje vão parar nos hospitais de alta complexidade poderiam ser resolvidos ainda na atenção básica, responsabilidade direta das prefeituras.
“Se o município fizer bem feito, muita gente não vai precisar, com um dedo desmentido, com um mal-estar na barriga, ir para um hospital de alta complexidade”, afirmou o governador, ao justificar a superlotação das unidades estaduais.
A fala, porém, soou como crítica direta aos prefeitos e prefeitas, que, de acordo com Jerônimo, não estariam desempenhando suas funções adequadamente. Para ele, falhas na oferta de serviços básicos — como triagem, consultas, pequenos procedimentos e acompanhamento primário — provocam um represamento artificial e aumentam a demanda por leitos especializados.
O relatório do TCE indica que o tempo médio de espera para pacientes regulados cresceu de forma contínua ao longo dos últimos cinco anos, ampliando a pressão sobre hospitais regionais, metropolitanos e unidades de referência. Enquanto o governo estadual reconhece a gravidade do problema, a transferência de responsabilidade para os municípios tende a tensionar ainda mais a relação entre o Palácio de Ondina e as gestões do interior, que já reclamam da falta de estrutura e do subfinanciamento crônico da saúde.
As declarações de Jerônimo ocorrem em um momento em que o sistema de regulação se tornou um dos principais pontos de desgaste do governo na área da saúde. A tendência é que as reações de prefeitos se intensifiquem nas próximas semanas, sobretudo diante de um cenário em que o próprio TCE reconhece o agravamento da crise e das dificuldades enfrentadas pela população para conseguir atendimento no SUS baiano.
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