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Ganduense cruza o Brasil em busca de transplante renal após descobrir doença em exames de rotina

Mesmo diante do alerta, ele ainda voltou para casa antes de procurar um hospital. Só depois da insistência da família decidiu buscar atendimento. Quando foi, não voltou tão cedo: “Eu fui e só voltei 14 dias depois, diagnosticado e já fazendo hemodiálise”, conta

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Ganduense cruza o Brasil em busca de transplante renal após descobrir doença em exames de rotina

Jamilton Machado dos Santos entrou no consultório do médico da empresa querendo apenas alguns dias de descanso. Não sentia dor nem qualquer sintoma; queria só passar mais tempo com a filha recém-nascida e desacelerar uma rotina de trabalho, viagens e correria. Então o médico aferiu sua pressão, e o número soou como um alarme: 24 por 12. “Eu não tive sintomas. Fui para a empresa, não senti nada e disse ao médico que precisava ficar em casa uns três dias. Foi quando ele mediu minha pressão e viu que havia algo errado”, relembra Jamilton.

Mesmo diante do alerta, ele ainda voltou para casa antes de procurar um hospital. Só depois da insistência da família decidiu buscar atendimento. Quando foi, não voltou tão cedo: “Eu fui e só voltei 14 dias depois, diagnosticado e já fazendo hemodiálise”, conta.

Natural de Gandu, no sul da Bahia, Jamilton havia se mudado para Belo Horizonte em 2018 para trabalhar. A filha tinha apenas três meses de vida quando veio o diagnóstico de insuficiência renal. Sem aviso claro do corpo, a doença avançou de forma silenciosa, como acontece com muitos pacientes renais. O caso dele traduz uma realidade que profissionais de saúde repetem há anos: a doença renal crônica pode progredir sem dar sinais nas fases iniciais, e, quando aparece, já está, muitas vezes, avançada.

Depois de exames mais aprofundados e de uma biópsia, veio a confirmação de que o quadro era irreversível. O tratamento começou de imediato, com a colocação de cateter, internação em UTI e início da hemodiálise. O baque maior, porém, não foi físico: “O mais difícil foi a aceitação. No começo, eu não sabia o que era, como funcionava o tratamento, nada disso. Essa foi a parte difícil”, diz.

O corpo também cobrou seu preço nos primeiros meses: “No início, desmaiei algumas vezes e tinha muita cãibra. Foi assim nos primeiros três meses. Depois, fui me adaptando”, afirma.

A doença interrompeu a rotina profissional e obrigou Jamilton a reorganizar a vida inteira em torno do tratamento. Ele se afastou do trabalho e passou a conviver com restrições, sessões frequentes de hemodiálise e o esforço diário de manter alguma normalidade. No começo, o medo ditava cada escolha: “No início, pelo medo que eu tinha, seguia à risca tudo o que pediam. Alimentação, tudo eu seguia à risca. Depois de uns seis meses, relaxei um pouco e minha vida voltou quase ao normal”, relata.
Enquanto reconstruía a rotina, entrou para a lista de espera do transplante renal. Foram quatro anos de espera em Belo Horizonte. Algumas irmãs chegaram a iniciar exames para a doação, mas surgiram impedimentos clínicos e também o medo, que tantas vezes cerca esse processo. Ainda assim, ele não desistiu: “Eu vi que não tinha outro jeito, na verdade”, resume.

“Eu não tive sintomas. Fui para a empresa, não senti nada e disse ao médico que precisava ficar em casa uns três dias. Foi quando ele mediu minha pressão e viu que havia algo errado”

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