O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), decidiu recorrer ao governo federal após reconhecer fragilidades na política de segurança pública do estado, diante da escalada de violência em áreas de conflito indígena no extremo sul baiano. O pedido de apoio foi formalizado nesta sexta-feira (27), após dois episódios que ampliaram a pressão sobre o Palácio de Ondina.
Em entrevista à TV Bahia, o governador afirmou que já houve uma reunião com o Ministério da Justiça e com o Ministério dos Povos Indígenas para discutir medidas emergenciais na região.
“Tivemos uma reunião com o Ministério da Justiça e Ministério dos Povos Indígenas. Pudemos ver uma agenda de polícia, porque precisa ter a presença da polícia pra garantir a paz”, declarou o petista.
Publicidade
A decisão ocorre dias após duas turistas do Rio Grande do Sul serem baleadas no município de Prado, na última terça-feira (24). Segundo as investigações, elas teriam sido atingidas por disparos ao desviarem de um bloqueio montado por indígenas em uma estrada vicinal. O caso ganhou repercussão nacional e acendeu alerta sobre a segurança em áreas de tensão fundiária.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, oito pessoas foram presas e quatro adolescentes apreendidos, suspeitos de envolvimento no ataque. As circunstâncias exatas do crime ainda são apuradas.
A região do extremo sul da Bahia vive um cenário de conflitos recorrentes entre indígenas e produtores rurais, sobretudo em áreas reivindicadas para demarcação. O episódio envolvendo as turistas expôs a vulnerabilidade da circulação em estradas locais e intensificou as críticas à condução da segurança pública estadual.
Jerônimo adiantou que, na próxima semana, haverá um encontro em Brasília para discutir o tema com representantes federais. Paralelamente, integrantes do governo estadual estão em Porto Seguro para dialogar com lideranças dos povos indígenas e representantes do setor produtivo rural, numa tentativa de mediar os conflitos e reduzir a tensão.
A movimentação do governador é vista como um reconhecimento da gravidade do quadro e da necessidade de atuação conjunta entre estado e União. A expectativa é que a presença reforçada das forças de segurança e a articulação institucional contribuam para evitar novos episódios de violência na região.

Comentários: