Uma reunião realizada na terça-feira, (03), entre o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o ex-ministro e principal líder do MDB no estado, Geddel Vieira Lima, reforçou o peso do partido na estratégia governista para as eleições de 2026. O encontro contou ainda com a participação do ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel, e do secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, considerado braço direito do governador na interlocução política.
O gesto político ocorre em um momento sensível para o governo Jerônimo, que enfrenta crescimento nos índices de rejeição, especialmente em razão da crise na segurança pública e do desgaste acumulado ao longo do primeiro mandato. Nos bastidores, a avaliação é de que o governador busca fortalecer sua base aliada com figuras experientes na articulação política, capazes de conter fissuras internas e ampliar o diálogo com setores hoje distantes do governo.
Geddel Vieira Lima, que já foi apontado publicamente por Jerônimo como um de seus principais articuladores políticos, volta a ganhar protagonismo no xadrez estadual. A expectativa no núcleo político do governo é que o emedebista atue diretamente na recomposição de alianças, no amortecimento de críticas e na organização do tabuleiro eleitoral visando a reeleição do governador.
Apesar da aproximação, o encontro também evidenciou tensões latentes dentro da base aliada. De acordo com interlocutores que acompanham as negociações, Geddel deixou claro que o MDB não aceitará perder o posto de vice-governador na chapa majoritária de 2026. A legenda ocupa atualmente posição estratégica no governo e vê a manutenção da vaga como condição central para seguir no projeto político liderado pelo PT na Bahia.
Ainda segundo fontes do meio político, o ex-ministro teria sido direto ao afirmar que o partido não descarta romper com o governo caso seja preterido na composição da chapa. A sinalização acende um alerta no núcleo do Palácio de Ondina, já que uma eventual saída do MDB poderia ampliar o isolamento político de Jerônimo e abrir espaço para adversários no campo oposicionista.
A reunião, embora tratada oficialmente como institucional, é interpretada como um movimento antecipado de acomodação de forças para 2026. Com histórico de influência nos bastidores e trânsito entre diferentes correntes políticas, Geddel Vieira Lima reassume papel central em um cenário marcado por desgaste administrativo, pressão eleitoral e disputas internas na base governista.

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