Menos de 72 horas após o assassinato brutal de três trabalhadores no bairro do Alto do Cabrito, no Subúrbio de Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) esteve na região. Mas não foi para anunciar resposta ao crime organizado, nem para apresentar medidas de segurança, tampouco para dialogar com as famílias das vítimas. Ele esteve nesta sexta-feira (19/12) para mais um ato eleitoreiro: anunciar a viagem-teste do VLT, que deverá operar em julho do ano que vem.
O mesmo Subúrbio que está sem trens há quase cinco anos. O mesmo povo que sofreu com abandono, transporte precário e promessas vazias. Agora, às vésperas do calendário eleitoral, o governo reaparece, sem constrangimento, fingindo normalidade enquanto três pais de família foram sequestrados, torturados e executados.
Esse gesto simboliza tudo: desconexão, falta de sensibilidade e ausência de compromisso com a população mais pobre.
O episódio deixa a seguinte pergunta no ar: como o PT pretende pedir votos em 2026 nas periferias e no Subúrbio de Salvador? Não adianta anunciar VLT com claro objetivo eleitoral enquanto se ignora o essencial: a vida das pessoas, a segurança, a saúde e as questões sociais.
O governo que diz defender a classe trabalhadora não consegue garantir o mínimo: que o trabalhador saia de casa e volte vivo. O triplo homicídio dos operadores de internet não é um caso isolado, não. Trata-se do retrato de um Estado ausente, que perdeu o controle de territórios inteiros para o crime organizado.
Durante os protestos no Centro Administrativo da Bahia (CAB), na quinta-feira (18/12), amigos e colegas das vítimas foram até a porta do governador cobrar respostas. Nenhum representante do governo desceu para dialogar. Nenhuma palavra. Nenhuma explicação. Apenas silêncio.
Um dos manifestantes resumiu o sentimento coletivo em um recado direto a Jerônimo Rodrigues: “ou o senhor toma providência, ou todos os provedores da Bahia vão trabalhar contra o senhor na política.”
E ninguém queria estar escrevendo isso. Pelo contrário. Muitos gostariam de estar elogiando Jerônimo, um homem que veio de baixo, com história de luta. Mas biografia não governa. Quem governa é a gestão. E a gestão falha.
Enquanto a violência avança, o que o PT faz? Pede empréstimos. Um atrás do outro. O Governo Jerônimo virou um aposentado do INSS da Bahia, refém do consignado. Já são R$ 26 bilhões em empréstimos em menos de três anos, sem retorno proporcional em segurança, saúde ou dignidade para o povo.
O PT não dialoga, não escuta, não ocupa as comunidades com políticas públicas. Quem ocupa são as facções. Antes, o pedágio era cobrado apenas pelo Comando Vermelho (CV). Agora, o Bonde do Maluco (BDM) também cobra. O crime se expandiu, se fortaleceu e se organizou diante da inoperância do Estado.
Isso tudo leva a uma conclusão dura, mas necessária: o PT perdeu a capacidade de governar para os mais pobres na Bahia. Sem segurança pública, sem projetos sociais estruturantes e sem diálogo verdadeiro, qualquer pedido de voto vai soar vazio. O povo pode até esquecer promessa, mas não esquece abandono.
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