Em uma movimentação que uniu parlamentares da extrema-esquerda e da extrema-direita, a Câmara dos Deputados decidiu, na noite dessa quarta-feira, 10, preservar os mandatos de Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP). A articulação, considerada atípica até mesmo nos bastidores da Casa, bastou para evitar as cassações e expôs um alinhamento circunstancial entre grupos ideologicamente opostos, mas que se viram interessados na preservação mútua de seus representantes.
Glauber Braga enfrentava um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar após protagonizar um episódio de agressão dentro da Câmara, em abril de 2024. Na ocasião, expulsou a chutes e empurrões Gabriel Costenaro, membro do Movimento Brasil Livre (MBL), durante uma discussão registrada em vídeo. A Corregedoria recomendou a cassação, mas o plenário decidiu por uma punição mais branda: suspensão do mandato por seis meses, preservação dos direitos políticos e manutenção do cargo após o período disciplinar. A votação registrou 318 votos favoráveis à punição alternativa, 141 contrários e três abstenções.
Já Carla Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por coordenar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também escapou da perda do mandato. A sentença do STF, definitiva desde junho, levou à sua prisão na Itália e à suspensão dos seus direitos políticos. Ainda assim, cabia ao plenário decidir se a deputada perderia ou não o mandato. Para a cassação, eram necessários 257 votos, mas o requerimento não alcançou esse patamar: foram 227 votos pela cassação, 170 pela manutenção do mandato e 10 abstenções.
A preservação de ambos os deputados resultou de um movimento articulado, relatado por parlamentares como um acordo informal entre extremos ideológicos que, apesar das divergências públicas, encontraram convergência no interesse de evitar precedentes considerados perigosos para seus próprios grupos.
O resultado das votações repercutiu imediatamente no Congresso e fora dele, levantando debates sobre corporativismo parlamentar, responsabilização de agentes públicos e a crescente influência de articulações cruzadas entre polos opostos na política nacional.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se