Política
Zé Cocá critica Rui Costa por compra de respiradores: “Nunca vi pagar R$ 49 milhões sem receber”
Pré-candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto, ex-prefeito de Jequié classificou operação do Consórcio Nordeste como um “verdadeiro absurdo” e cobrou providências do TCE-BA

O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá (PP), elevou o tom contra o ex-governador Rui Costa (PT) ao comentar a compra de respiradores realizada pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19. Os equipamentos, adquiridos em 2020 mediante pagamento antecipado de aproximadamente R$ 49 milhões, nunca foram entregues.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (14), Cocá afirmou que, durante sua trajetória como gestor municipal, jamais permitiu o pagamento integral de um produto antes da sua efetiva entrega. Para o ex-prefeito, a antecipação dos recursos foi o principal erro cometido na operação.
“Eu nunca autorizei, nunca deixei que o município fizesse um pagamento sem que houvesse a entrega do bem. Para mim, o maior erro de tudo isso foi pagar uma nota de R$ 49 milhões sem receber o equipamento”, declarou.
O contrato previa a aquisição de 300 ventiladores pulmonares para atender estados nordestinos durante o período mais crítico da crise sanitária. O valor de aproximadamente R$ 48,7 milhões foi transferido antecipadamente à empresa contratada, mas os aparelhos não chegaram aos hospitais. Rui Costa governava a Bahia e presidia o Consórcio Nordeste no momento da contratação.
As declarações de Zé Cocá foram feitas após a divulgação de uma auditoria técnica do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), que apontou supostos “erros administrativos grosseiros” na condução da compra e recomendou a desaprovação das contas de Rui Costa relativas à gestão do Consórcio Nordeste em 2020.
O processo, no entanto, ainda está em fase de instrução e deverá ser analisado pelo conselheiro João Bonfim e posteriormente submetido ao colegiado do tribunal. A decisão técnica, portanto, ainda não representa um julgamento definitivo. A palavra final sobre a aprovação ou rejeição das contas caberá à Assembleia Legislativa da Bahia.
Zé Cocá elogiou a atuação dos técnicos responsáveis pela auditoria e defendeu que o tribunal adote as providências cabíveis.
“O Tribunal tem que tomar as providências. Parabenizo os técnicos por deixarem claro o verdadeiro absurdo que é pagar R$ 49 milhões sem receber os equipamentos. Nunca vi isso”, afirmou.
Durante a entrevista, o pré-candidato também chamou Rui Costa de “Imperador” e declarou que o petista, enquanto comandava o Governo da Bahia, pretendia demonstrar que era “maior que os outros”. A fala amplia o embate político entre os dois grupos que deverão disputar o comando do estado nas eleições de outubro.
Zé Cocá renunciou à Prefeitura de Jequié em abril para ficar apto a concorrer nas eleições de 2026. Ele integra a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que disputará novamente o Governo da Bahia. A composição havia sido anunciada em março.
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