Política
Vanuza do Cacau declara patrimônio de R$ 3,18 milhões ao TSE e leva para campanha polêmica envolvendo Biofábrica
Candidata a deputada federal pelo Republicanos informou sete bens à Justiça Eleitoral; empresária chegou a ser acusada de oferecer vantagem financeira a funcionária para confirmar suposta contaminação de mudas de cacau, acusação que ela nega

A candidata a deputada federal Vanuza do Cacau, nome de urna da empresária Vanuza Lima Barroso, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 3.182.443,14 para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 pela Bahia.
A maior parcela do patrimônio está concentrada em aplicações financeiras, avaliadas em R$ 1,205 milhão, aproximadamente 38% de tudo o que foi declarado.
Também aparecem na relação uma fazenda avaliada em R$ 637.819,47, R$ 520 mil em participação no capital social de empresas, duas casas que, juntas, foram declaradas por R$ 364.497,35, além de um automóvel de R$ 248 mil.
Vanuza informou ainda possuir R$ 186,5 mil em dinheiro em espécie e R$ 20.626,32 depositados em conta corrente. A soma chega exatamente aos R$ 3,18 milhões informados à Justiça Eleitoral.
De empresária do cacau à disputa por Brasília
Natural de Porto Seguro, Vanuza ganhou projeção principalmente por sua atuação no setor cacaueiro e ocupa a presidência da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC).
A entrada oficial na disputa por uma vaga de deputada federal também traz de volta aos holofotes um episódio que provocou forte repercussão no sul da Bahia meses antes do início da campanha eleitoral.
Em maio deste ano, Vanuza Barroso foi acusada de tentar oferecer vantagem financeira a uma funcionária ligada ao Instituto Biofábrica da Bahia, na região de Ilhéus, para que ela confirmasse a suposta existência do chamado vírus do mosaico em mudas de cacau produzidas pela instituição.
Segundo reportagem, a funcionária registrou boletim de ocorrência e relatou ter sido procurada após um primeiro contato realizado por uma pessoa que teria se apresentado como secretária de Vanuza. A colaboradora afirmou que posteriormente recebeu uma proposta financeira relacionada ao episódio.
Áudios divulgados na imprensa mostrariam Vanuza discutindo a possibilidade de pagar R$ 5 mil mensais à funcionária e até ajudá-la a se estabelecer em Minas Gerais caso ela perdesse o emprego depois da divulgação das informações envolvendo a Biofábrica.
A funcionária interpretou a abordagem como uma tentativa de obter seu testemunho contra a instituição. A Biofábrica também reagiu publicamente, classificando a situação como grave e informando que havia registrado ocorrência policial e adotaria medidas jurídicas para apuração do caso.
Vanuza Barroso, entretanto, negou que tenha tentado subornar ou coagir a funcionária.
A então presidente da ANPC afirmou que trechos das conversas teriam sido divulgados fora de contexto. Segundo sua versão, a colaboradora teria demonstrado medo de perder o emprego depois de relatar a possível presença do vírus nas mudas e a proposta financeira seria uma forma de oferecer trabalho e proteção caso ela fosse demitida.
Dias depois, em entrevista ao A TARDE, Vanuza sustentou que a oferta teve uma motivação humanitária. Argumentou também que sua representação sobre a possível contaminação já havia sido encaminhada ao Ministério Público Federal antes da conversa apontada na denúncia, o que, segundo ela, enfraqueceria a tese de que pretendia pagar alguém para produzir a acusação.
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