Política
Romeu Zema vira chacota nas redes sociais ao tentar se transformar no "novo" Bolsonaro
Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Partido Novo, Zema vem intensificando publicações nas redes sociais com ataques ao STF e críticas frequentes aos ministros da Corte

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, parece disposto a repetir uma fórmula já conhecida da política brasileira: a aposta no confronto direto com o Supremo Tribunal Federal e na radicalização do discurso conservador como caminho para crescer eleitoralmente. Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Partido Novo, Zema vem intensificando publicações nas redes sociais com ataques ao STF e críticas frequentes aos ministros da Corte, em uma estratégia que remete diretamente ao modelo político adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018 e ao longo de seu mandato.
Nos últimos meses, o político mineiro passou a investir em vídeos satirizados, ironias e conteúdos voltados ao público bolsonarista mais radicalizado. O objetivo seria claro: tentar ocupar um espaço de liderança dentro da direita brasileira e atrair parte do eleitorado fiel ao sobrenome Bolsonaro. Nos bastidores, interlocutores avaliam que Zema acredita ser possível conquistar eleitores que hoje orbitam em torno do senador Flávio Bolsonaro, apostando em um discurso de enfrentamento institucional semelhante ao do ex-presidente.
A estratégia, porém, não tem surtido o efeito esperado. Longe de conseguir decolar nas pesquisas de intenção de voto, Romeu Zema passou a enfrentar forte desgaste nas redes sociais, onde frequentemente vira alvo de memes, críticas e chacotas. Internautas têm apontado excesso de artificialidade nas tentativas do ex-governador de reproduzir o estilo político bolsonarista, além de questionarem a falta de autenticidade do discurso adotado pelo mineiro.
Analistas políticos observam que a tentativa de copiar o comportamento de Bolsonaro pode acabar produzindo justamente o efeito contrário: em vez de consolidar uma liderança própria, Zema corre o risco de ser visto apenas como uma versão secundária do ex-presidente. Dentro da própria direita, aliados avaliam que o governador mineiro encontra dificuldades para dialogar com o eleitorado mais popular e carismático que historicamente acompanha Bolsonaro.
Nos corredores de Brasília, cresce a percepção de que a movimentação de Romeu Zema teria outro objetivo menos ambicioso: garantir espaço em uma eventual composição nacional da direita. Reservadamente, aliados apontam que o ex-governador estaria tentando cavar uma vaga como candidato a vice-presidente em uma chapa liderada por Flávio Bolsonaro. Caso não consiga viabilizar esse cenário, a avaliação de integrantes do próprio campo conservador é de que sua candidatura dificilmente chegará até o fim da disputa presidencial.
Enquanto isso, o ex-governador segue apostando no endurecimento do discurso e no embate com o Judiciário como tentativa de ganhar relevância nacional. Resta saber se a estratégia conseguirá transformá-lo em protagonista da direita brasileira ou se acabará apenas reforçando a percepção de que Zema tenta ocupar um espaço político que já possui dono consolidado entre os eleitores bolsonaristas.
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