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PT da Bahia se especializa em descartar aliados por projeto individual de poder

A movimentação não é inédita. O “apagamento” de parceiros políticos remete a episódios anteriores que deixaram marcas profundas na relação do PT com outras legendas do campo governista

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
PT da Bahia se especializa em descartar aliados por projeto individual de poder

A decisão do PT da Bahia de reordenar sua estratégia política mirando a disputa de 2026 voltou a provocar forte desgaste com partidos aliados e a expor contradições internas da legenda. O chamado projeto “puro-sangue”, que prioriza quadros exclusivamente petistas nos principais espaços da chapa majoritária, tem levado ao descarte de nomes centrais que ajudaram a garantir a vitória do grupo governista nas eleições de 2022.

Entre os atingidos estão o senador Ângelo Coronel (PSD) e o vice-governador Geraldo Jr. (MDB). Ambos ocuparam posições estratégicas na última eleição e tiveram papel relevante na construção da aliança que elegeu Jerônimo Rodrigues ao Palácio de Ondina. Agora, no entanto, passaram a ser tratados nos bastidores como figuras secundárias no novo arranjo político do PT, o que esvazia, na prática, o discurso histórico da sigla de valorização e lealdade aos aliados.

A movimentação não é inédita. O “apagamento” de parceiros políticos remete a episódios anteriores que deixaram marcas profundas na relação do PT com outras legendas do campo governista. Em 2018, Lídice da Mata (PSB) foi retirada da chapa majoritária, apesar de integrar o núcleo duro de apoio ao projeto petista no estado. Já em 2022, foi a vez do deputado João Leão (PP), então vice-governador, ser descartado às vésperas da eleição, rompimento que levou o PP a deixar a base do governo.

Nos bastidores, dirigentes e aliados apontam que as decisões estratégicas continuam concentradas nas mãos da dupla considerada intocável dentro do PT baiano: o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ambos mantêm forte influência sobre os rumos do partido no estado e sobre a definição das chapas eleitorais.

O protagonismo de Rui Costa, em especial, ganha contornos nacionais. Integrante do núcleo político do governo Lula, o ex-governador da Bahia é citado como um dos nomes que miram a sucessão presidencial no médio prazo. Ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Rui desponta como potencial herdeiro do projeto lulista, o que reforça a leitura de que o “puro-sangue” na Bahia também atende a uma lógica de fortalecimento interno do PT no cenário nacional.

Enquanto isso, o efeito colateral é o desgaste com partidos aliados, que passam a questionar a confiabilidade do PT como parceiro político. A estratégia, embora fortaleça o controle da sigla sobre o projeto de poder, reacende críticas antigas e amplia a percepção de que, na prática, alianças no campo petista têm prazo de validade definido pelos interesses do próprio partido.

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