Diário Paralelo — Diariamente com Você!
Últimas notícias

Política

PT aposta no caso Master contra Flávio, mas finge esquecer envolvimento de Jaques Wagner no escândalo

Campanha petista explora áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro, mas ofensiva abre espaço para adversários lembrarem que Jaques Wagner, amigo e homem de confiança do presidente, também é investigado pela Polícia Federal por suspeitas envolvendo o Banco Master

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
PT aposta no caso Master contra Flávio, mas finge esquecer envolvimento de Jaques Wagner no escândalo

A campanha do presidente Lula decidiu transformar o escândalo do Banco Master em uma das principais armas contra Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. A estratégia pode produzir desgaste no adversário, mas carrega uma contradição difícil de esconder: um dos principais homens de confiança do presidente, o senador Jaques Wagner (PT-BA), também está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao mesmo conglomerado financeiro.

Na estreia da propaganda eleitoral, a campanha petista reproduziu trechos de um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Na gravação, o senador trata o banqueiro como “irmão” enquanto discute recursos destinados ao projeto Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A campanha de Lula incorporou o episódio à narrativa de ataque contra o adversário e apresentou o Master como um grande escândalo de corrupção.

Segundo informações já reveladas sobre o caso, Flávio negociou aproximadamente US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões pela cotação utilizada nas reportagens — para o projeto. Aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos por estruturas relacionadas a Vorcaro. A Polícia Federal investiga a destinação dos recursos, e Flávio ainda enfrenta cobranças para apresentar detalhadamente a prestação de contas do negócio.

São fatos que justificam questionamentos públicos e investigação. O problema político para o PT começa quando sua propaganda vai além de cobrar esclarecimentos e procura transformar a relação de Flávio com o Master em símbolo da corrupção do adversário.

Isso porque o mesmo Banco Master aparece em uma investigação que atingiu diretamente Jaques Wagner.

Em 18 de junho, Wagner foi alvo de uma operação da Polícia Federal dentro da investigação sobre o Banco Master. A PF apura se o senador recebeu vantagens econômicas indevidas relacionadas a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro na instituição financeira.

Entre os elementos investigados estão um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada à família do senador e outras vantagens apontadas pelos investigadores. Wagner nega qualquer irregularidade.

A repercussão política foi suficientemente grave para provocar uma mudança dentro do próprio Palácio do Planalto.

Seis dias depois da operação, em 24 de junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado após uma reunião com o presidente da República. No dia seguinte, Lula anunciou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como substituta.

Wagner ocupava desde o início do atual governo uma das funções políticas mais importantes do Palácio do Planalto no Congresso. Ex-governador da Bahia, ex-ministro e uma das principais lideranças nacionais do partido, mantém uma relação de amizade e confiança política com Lula construída ao longo de décadas. A própria Folha registrou, quando ele deixou a liderança, que Wagner é um dos aliados mais próximos do presidente e que os dois se conhecem há quase 50 anos.

Na última quinta-feira (27), durante entrevista à TV Globo, Lula foi questionado sobre as suspeitas envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master. O presidente não se afastou politicamente do senador. Pelo contrário: afirmou ter convicção sobre sua honestidade, embora tenha defendido que as investigações sigam seu curso.

Matérias relacionadas