Política
Prefeito de Valença exonera vários servidores quatro dias após eleições; gestor apoiou reeleição de Jerônimo e apoia reeleição de Lula
Cinco dias após as eleições, prefeito promove mudanças no primeiro escalão e justifica medida pela crise financeira; proximidade com o pleito levanta questionamentos sobre o tratamento dispensado aos aliados políticos

Mal terminou o primeiro turno das eleições de 2026 e o clima de festa mudou dentro da Prefeitura de Valença, no Baixo Sul da Bahia. O prefeito Marcos Medrado (PV), que esteve envolvido na mobilização eleitoral em favor de seus candidatos, anunciou uma ampla reestruturação administrativa que já resultou na exoneração de oito secretários municipais, além de atingir cargos de direção. A movimentação, iniciada poucos dias depois da votação, coloca em discussão aquilo que, no ambiente político, poderia ser chamado de “descarte” de aliados após o cumprimento da missão eleitoral.
Durante a campanha, Medrado participou de atos políticos, articulou apoios e mobilizou sua base em favor de candidatos como o deputado estadual Patrick Lopes e o deputado federal Sérgio Brito, além de apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Encerrada a votação de 4 de outubro, entretanto, a administração passou a anunciar cortes e mudanças na composição de suas equipes.
Na quinta-feira (8), exatamente quatro dias depois das eleições, o prefeito divulgou um comunicado nas redes sociais informando a necessidade de reduzir secretarias e cargos. No dia seguinte, oito decretos de exoneração foram publicados no Diário Oficial do Município, atingindo integrantes do primeiro escalão da gestão.
Entre os exonerados estão Vidalto Oiticica Pires, do Turismo; Flordolina Angélica de Andrade, de Políticas para Mulheres e Reparação Social; Israel Gonçalves Costa, de Mobilidade e Ordem Pública; Alan Ainsworth de Oliveira, do Meio Ambiente; Erlana de Jesus Silva, da Comunicação; Paulo Roberto Martins dos Santos, do Desenvolvimento Econômico; David Willyan Troina dos Santos, da Cultura; e Clovis Coutinho Loureiro, da Agricultura.
Outros desligamentos de ocupantes de cargos comissionados e diretorias também foram noticiados, mas o número total de pessoas atingidas ainda não foi confirmado.
Para justificar a decisão, Marcos Medrado apresentou um cenário preocupante das finanças municipais. Segundo o comunicado, a Prefeitura possui uma receita aproximada de R$ 31 milhões, enquanto a folha de pagamento consome cerca de R$ 25 milhões. Pelos números divulgados pela própria administração, os salários representariam aproximadamente 80,6% da receita mencionada, embora essa proporção não corresponda necessariamente ao índice de despesa com pessoal calculado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O prefeito também afirmou que a reorganização atende a orientações de órgãos de controle e fiscalização, citando o Ministério Público e a Delegacia Regional do Trabalho. Entretanto, o comunicado não apresentou os documentos específicos que teriam fundamentado as medidas.
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