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PL avalia substituir Flávio Bolsonaro após escândalo de conversas com Vorcaro

No caso de a candidatura não se viabilizar, hoje três figuras aparecem como principais possibilidades: Michelle Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
PL avalia substituir Flávio Bolsonaro após escândalo de conversas com Vorcaro

Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu nessa terça-feira, (19), mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para bancar o filme sobre seu pai, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.

Publicamente, integrantes do PL trataram o caso apenas como um novo revés, mas as justificativas apresentadas foram consideradas pouco plausíveis. Integrantes da cúpula avaliam que, de 10 a 15 dias, será o tempo para reavaliar se Flávio terá condições de prosseguir como candidato e se as denúncias serão relevantes eleitoralmente.

Flávio sustenta que só foi ao encontro do dono do Master para colocar um “ponto final” em questões relacionadas ao patrocínio do longa. Como revelou o Intercept Brasil, Vorcaro autorizou o repasse de R$ 61 milhões ao filme “Dark horse”, transferência investigada pela Polícia Federal (PF). A mesma reportagem revelou áudios em que Flávio cobra parcelas atrasadas do banqueiro.

— Fui, sim, até o encontro dele (Vorcaro). Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele — disse Flávio, na manhã de ontem, minutos depois de o encontro ser revelado pelo portal Metrópoles. — Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco.

O senador afirmou que o único assunto tratado com Vorcaro, tanto por telefone quanto pessoalmente, foi o financiamento do filme. Segundo relatos feitos ao GLOBO, a avaliação interna é que a candidatura de Flávio passaria a ser considerada “inviabilizada” se aparecerem fatos que contradigam a versão de que sua relação com o dono do Banco Master esteve restrita exclusivamente ao longa.

A revelação da visita se junta a uma série de turbulências que a campanha de Flávio vem enfrentando antes mesmo de vir à tona sua proximidade com Vorcaro. A escolha de um ex-policial civil para chefiar a comunicação havia irritado uma ala do PL. A postura do senador durante operação que mirou Ciro Nogueira (PP-PI), há duas semanas, ajudou a afastar parte do Centrão, que deve optar pela neutralidade na corrida presidencial (leia mais no box). Após a revelação da troca de áudios entre o senador e o banqueiro, versões desencontradas do pré-candidato, deEduardo Bolsonaroe de produtores do projeto, como o deputadoMario Frias(PL-SP) e a empresa Go Up, levantaram dúvidas sobre a veracidade das informações.

Depois de passar os últimos dias em reuniões reservadas com Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto eRogério Marinho, Flávio reuniu ontem cerca de 70 deputados e senadores do partido em Brasília. Aliados ainda demonstram incômodo com a condução política do caso e com a forma como o senador reagiu publicamente às revelações.

Ao tentar reverter a situação para o seu eleitorado, o pré-candidato chegou a divulgar o trailer do filme nas redes sociais. Interlocutores próximos a Valdemar afirmam que cresceu na cúpula do partido a avaliação de que o PL precisa começar a olhar opções caso novos desdobramentos atinjam o filho do ex-presidente.

Qualquer mudança, porém, teria que passar pelo crivo do ex-presidente, que está em prisão domiciliar, onde mantém diálogo frequente com Flávio.

No caso de a candidatura não se viabilizar, hoje três figuras aparecem como principais possibilidades: Michelle Bolsonaro, a senadoraTereza Cristina(PP-MS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio. Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e aliado da família, Silas Malafaia resume o ambiente da pré-campanha.

— A relação de Flávio com evangélicos esfria, sim, se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme. Por enquanto, estamos todos com cautela. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio.

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