Política
Nordeste deixa de ser "curral eleitoral" de Lula, avaliam cientistas políticos
O acumulo de desgastes de imagem, a mudança ideológica e transformações sociais vem criando um ambiente mais hóstil para o presidente Lula e seus aliados

O presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores - PT, vão precisar se esforçar mais se quiserem manter suas destinas na região Nordeste, avaliam cientistas políticos. Por pelo menos duas décadas o território é considerado "curral eleitoral" do PT, onde Lula carrega a certeza de vitórias sempre fáceis nas eleições.
O problema é que agora essa dinâmica tem mudado, e o que era "vitória garantida", deixou de ser um reduto automático do petismo.
Essa avaliação foi feita nessa quarta-feira, (26), durante encontro promovido pelo UBS com empresários e clientes. O acumulo de desgastes de imagem, a mudança ideológica e transformações sociais vem criando um ambiente mais hóstil para o presidente Lula e seus aliados.
Para Andrei Roman, cientista político e cofundador da AtlasIntel, há uma mudança estrutural em curso no comportamento do eleitorado nordestino. Pesquisas recentes registram uma queda no desempenho do petista na região, reflexo de fatores que se somam e fragilizam uma equação que antes parecia estável. Prova disso é o olhar diferenciado que se tem do Bolsa Família, principal "cabresto" eleitoral usado pelo Partido dos Trabalhadores - PT, mas que hoje não tem tanta força como antigamente.
“Hoje já não existe mais aquele temor de que um governo de direita vá acabar com o programa”, explicou. Para além disso, o pesquisador credita ainda o fracasso de alguns governos estaduais ligados ao PT, como no caso de Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia. “Não temos mais campeões de popularidade como antes”, afirmou, citando Bahia e Ceará entre os casos de maior declínio de aprovação.
A avaliação feita é de quando governadores perdem apoio, isso acaba respingando no governo federal, emendando que o avanço do crime organizado e da violência contribuem significativamente. O resultado é um Nordeste mais competitivo. Não se trataria de um rompimento com o PT, mas de um ambiente que exige maior presença, respostas mais rápidas e uma estratégia que vá além do apelo histórico dos programas sociais.
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