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Mesmo sob investigações por suspeitas de corrupção, Rui Costa e Jaques Wagner lideram corrida ao Senado na Bahia

Pesquisa Quaest coloca os dois candidatos do PT com ampla vantagem sobre os adversários. Rui é investigado no caso dos respiradores do Consórcio Nordeste, enquanto Wagner entrou na mira da Polícia Federal no escândalo do Banco Master

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Mesmo sob investigações por suspeitas de corrupção, Rui Costa e Jaques Wagner lideram corrida ao Senado na Bahia

Rui Costa e Jaques Wagner chegam ao início da disputa pelas duas vagas da Bahia no Senado na liderança das intenções de voto, mesmo carregando para a campanha eleitoral o peso de investigações envolvendo suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas.

Pesquisa Quaest divulgada nessa quinta-feira, (27), mostra o ex-governador e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) na primeira colocação, com 23%, seguido pelo atual senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, com 17%. Muito atrás aparecem João Roma (PL), com 7%, e o senador Angelo Coronel (Republicanos), com 5%.

O resultado chama atenção não apenas pela vantagem dos dois petistas, mas pelo momento político vivido por ambos. Rui e Wagner disputam as duas cadeiras destinadas à Bahia enquanto seus nomes estão relacionados a investigações de grande repercussão nacional. É importante ressaltar, entretanto, que investigação e suspeita não significam culpa, e nenhum deles foi condenado nesses episódios.

A situação mais recente envolve Jaques Wagner. Em junho, o senador foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master. Depois da operação, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado.

Segundo a Polícia Federal, foram encontrados indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas relacionadas a pessoas ligadas ao Banco Master, principalmente Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco, e Daniel Vorcaro. Entre os elementos investigados estão viagens, despesas com shows e negociações envolvendo um imóvel de luxo em Salvador.

Documentos da investigação tornados públicos após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontaram ainda negociações envolvendo um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e mensagens analisadas pela PF. Outro relatório policial indicou que Wagner teria aproximadamente R$ 167 mil aplicados em CDB do Banco Master, investimento cujo valor posteriormente teria chegado a quase R$ 195 mil.

Wagner nega qualquer irregularidade. Sua defesa pediu inclusive o adiamento de depoimento à Polícia Federal alegando não ter tido acesso integral aos autos. O senador reconhece amizade com Augusto Lima, mas sustenta que não praticou qualquer ato ilícito.

Nesta quinta-feira, poucas horas depois da divulgação da pesquisa Quaest, o próprio presidente Lula saiu publicamente em defesa do aliado.

“Tenho consciência que o Wagner é honesto”, declarou o presidente durante entrevista à TV Globo. Lula ressaltou, porém, que, caso alguma irregularidade seja comprovada, Wagner deverá responder como qualquer outra pessoa.

O líder da pesquisa, Rui Costa, também chega à eleição tendo de conviver com uma investigação criminal de grande repercussão.

O caso envolve a compra de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia de Covid-19, quando Rui era governador da Bahia e presidente da entidade. Foram pagos antecipadamente R$ 48,7 milhões à empresa Hempcare Pharma, mas os equipamentos nunca foram entregues. O episódio é objeto de investigação da Polícia Federal.

Em julho deste ano, uma auditoria técnica do Tribunal de Contas do Estado da Bahia voltou a colocar Rui no centro do episódio. Os auditores apontaram “erros administrativos grosseiros” na contratação e recomendaram a rejeição das contas referentes à gestão do Consórcio Nordeste em 2020.

Segundo o relatório, o pagamento foi autorizado sem que fossem verificadas adequadamente as condições técnicas e financeiras da empresa. A Hempcare tinha capital social de apenas R$ 100 mil, havia sido criada poucos meses antes e não possuía registro na Anvisa para comercializar equipamentos médicos. Os técnicos também apontaram que alertas e condicionantes apresentados pela Procuradoria-Geral do Estado não teriam sido devidamente observados antes do pagamento antecipado.

O inquérito criminal continua em tramitação. Em julho, o ministro Flávio Dino determinou que a investigação fosse devolvida ao Superior Tribunal de Justiça. A defesa de Rui Costa nega irregularidades e afirma que o então governador foi responsável por determinar medidas destinadas justamente à recuperação do dinheiro após a empresa não entregar os equipamentos.

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