Política
Lula tenta engana povo baiano anunciado, mais uma vez, início das obras da Ponte Salvador-Itaparica
A reestreia do canteiro de obras escancara o nó político e burocrático que envolve a ponte, uma das promessas mais antigas e arrastadas do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, que já soma cerca de 20 anos desde os primeiros esboços e discursos eleitorais

Quem acompanhou as redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta quarta-feira, 1º de julho, foi tomado por uma forte sensação de repetição. Em postagem oficial, o líder petista anunciou seu desembarque na Bahia para cumprir uma agenda simbólica de peso: acompanhar o "início" das obras da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. O projeto promete uma revolução logística, reduzindo o tempo de travessia pela Baía de Todos-os-Santos de 1 hora para apenas 15 minutos.
O anúncio seria uma vitória histórica para a infraestrutura do estado, não fosse por um detalhe de memória fina: exatamente há um ano, no início de julho de 2025, o mesmo presidente Lula cumpria exatamente a mesma agenda, celebrando os mesmos avanços e o mesmíssimo "ponto de partida" para a megaestrutura de 12,4 quilômetros.
A reestreia do canteiro de obras escancara o nó político e burocrático que envolve a ponte, uma das promessas mais antigas e arrastadas do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, que já soma cerca de 20 anos desde os primeiros esboços e discursos eleitorais.
Em julho de 2025, o Planalto e o Governo do Estado — sob a gestão de Jerônimo Rodrigues — chegaram a celebrar o avanço das sondagens e o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) com o consórcio chinês como o "parto difícil" que finalmente havia se realizado. Contudo, 365 dias depois, a engenharia parece ter andado em círculos, exigindo um novo palanque para cravar, em caráter "simbólico", a primeira estaca na cidade de Vera Cruz.
O Contraste do Discurso: Em 2025, o projeto executivo e a movimentação de canteiros eram dados como o passo definitivo. Em 2026, a narrativa oficial se recicla, tratando o evento de hoje como o verdadeiro "marco zero" civil da estrutura integrada ao Novo PAC.
Para o cidadão baiano, que há duas décadas ouve falar da ligação seca entre a capital e a ilha, o anúncio de hoje soa menos como engenharia e mais como marketing político de uma obra que teima em não sair do papel. Resta saber se o "início" de 2026 será definitivo, ou se em 2027 o estado assistirá à terceira inauguração do primeiro passo.
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