Política
Lula promete tirar facções de territórios, mas rejeita operações para “matar 100 ou 200” bandidos
Presidente afirma que criminosos serão presos e aposta em maior participação federal no combate às facções; declaração ocorre em meio ao avanço da segurança pública como tema central da eleição de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, endureceu o discurso sobre segurança pública durante um comício realizado nesse sábado (22), em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao lado do candidato ao governo fluminense Eduardo Paes (PSD), Lula prometeu retirar organizações criminosas dos territórios dominados por facções, mas rejeitou uma política de segurança baseada em operações policiais marcadas por elevado número de mortes.
“Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200, não! Vamos prender”, declarou o presidente durante o ato. Lula acrescentou que ruas, escolas, vilas e estabelecimentos comerciais precisam voltar ao controle da população.
A declaração chama atenção pela escolha das palavras e ocorre em um momento no qual a segurança pública ganhou espaço central na campanha eleitoral.
Embora Lula não tenha citado diretamente a operação em sua frase, o discurso foi interpretado no contexto da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.
A ação policial se tornou uma das mais letais da história do estado.
Inicialmente, os balanços divulgados apontavam números inferiores, mas informações mais recentes registram 122 pessoas mortas na operação. O episódio passou a integrar o debate nacional sobre os limites, resultados e letalidade das grandes operações policiais contra facções criminosas.
Ao dizer que não pretende realizar “pirotecnia” nem “matar 100 ou 200”, Lula tenta estabelecer uma diferença entre duas ideias que frequentemente aparecem misturadas no debate político: combater de maneira dura o crime organizado e medir o sucesso de uma operação pelo número de mortos.
O presidente procurou deixar claro, ao mesmo tempo, que sua proposta não significa abandonar a repressão.
“Nós vamos tirar o bandido do território de vocês”, afirmou.
O discurso sugere uma tentativa de construir uma política eleitoralmente mais agressiva na segurança sem abandonar uma abordagem historicamente defendida por setores da esquerda, que questionam operações com alta letalidade.
A palavra utilizada repetidamente por Lula foi “prender”.
Essa escolha não é irrelevante.
O presidente tenta responder a uma das críticas recorrentes feitas ao campo político governista: a percepção de que a esquerda teria dificuldade para apresentar um discurso de enfrentamento direto às facções e ao crime organizado.
Agora, Lula procura ocupar esse espaço afirmando que haverá repressão, retirada de criminosos dos territórios e fortalecimento das forças federais — mas rejeitando a ideia de que eficiência policial necessariamente tenha de ser acompanhada de dezenas ou centenas de mortes.
A mudança de tom acontece também porque os números ajudam a explicar por que os candidatos passaram a dedicar cada vez mais espaço ao assunto.
Pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto apontou que 33% dos entrevistados consideravam a violência sua principal preocupação, à frente de economia, saúde e corrupção. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de agosto.
Outra pesquisa, BTG/Nexus, colocou segurança pública e saúde empatadas, com 32%, entre os principais problemas apontados pelos entrevistados.
Portanto, falar de segurança deixou de ser apenas uma pauta tradicionalmente explorada por candidatos de oposição e passou a ocupar posição estratégica também dentro da campanha de Lula.
Matérias relacionadas

Política
Vídeo mostra homem cobrando a Rui Costa resposta sobre o caso dos respiradores

Política
Tarcísio abre 20 pontos sobre Haddad e desenha derrota humilhante do petista no 1º turno, diz Datafolha

Política
Lula teve encontro com Vorcaro e avisou ao banqueiro sobre investigações contra o Banco Master

Política
