Política
Lula pode ficar fora do 2 de Julho na Bahia após desgaste envolvendo Jaques Wagner
Nos bastidores, aliados admitem que o cenário político na Bahia tornou-se mais sensível após o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos principais nomes do petismo baiano, ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 18

A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participar do tradicional Desfile Cívico de 2 de Julho, em Salvador, já movimenta os bastidores políticos da Bahia. Embora a justificativa oficial divulgada pelo Palácio do Planalto seja de ordem médica, interlocutores políticos avaliam que o momento delicado vivido pelo governo pode ter pesado na decisão.
De acordo com a assessoria presidencial, Lula deve evitar exposições prolongadas ao sol em razão do tratamento de radioterapia iniciado após a descoberta de um câncer de pele no couro cabeludo. No entanto, chama atenção o fato de o presidente não possuir agenda oficial prevista na capital baiana para as celebrações da Independência da Bahia, enquanto compromissos no Rio Grande do Norte seguem mantidos.
Nos bastidores, aliados admitem que o cenário político na Bahia tornou-se mais sensível após o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos principais nomes do petismo baiano, ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 18. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Segundo a investigação, Wagner é suspeito de ter atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de supostas vantagens indevidas. Entre os benefícios investigados estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e repasses financeiros a empresas ligadas a familiares do parlamentar.
As investigações também apontam indícios de atuação parlamentar em temas considerados estratégicos para o Banco Master, incluindo propostas relacionadas ao crédito consignado e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma estar tranquilo em relação às investigações. Até o momento, o senador não foi denunciado nem se tornou réu no processo.
Caso a ausência de Lula seja confirmada, será a primeira vez, desde o retorno do petista à Presidência, que o chefe do Executivo deixará de participar do emblemático desfile do 2 de Julho, evento historicamente utilizado pelo PT para reforçar sua ligação política e eleitoral com a Bahia.
A eventual ausência também pode ser interpretada como uma tentativa do Palácio do Planalto de evitar desgastes públicos em meio ao avanço das investigações envolvendo um dos mais próximos aliados do presidente.
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