Política
Lula diz que será reeleito mesmo que ele e Alckmin cometam erros nos próximos meses
Presidente demonstrou confiança durante convenção do PSB, mas declaração sobre possíveis erros pode virar munição para adversários na campanha eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou confiança na própria reeleição ao afirmar que os resultados alcançados pelo governo seriam suficientes para garantir uma nova vitória nas urnas, mesmo que ele e o vice-presidente Geraldo Alckmin cometam erros durante os próximos meses.
A declaração foi feita na noite dessa quarta-feira (29), durante o congresso eleitoral do Partido Socialista Brasileiro, realizado em Brasília. No encontro, o PSB oficializou a permanência de Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa liderada pelo petista.
“Eu e o Alckmin vamos ganhar as eleições. Não há nenhuma razão, mesmo que eu e ele erremos daqui para frente, mas o acerto foi tanto que a gente não perde essas eleições”, declarou Lula diante dos dirigentes e militantes socialistas.
A fala foi recebida como uma demonstração de confiança pelo público presente no evento, mas também carrega um componente politicamente arriscado. Ao sustentar que possíveis erros não seriam suficientes para impedir a vitória, o presidente abre espaço para que seus adversários interpretem a declaração como excesso de confiança ou como uma tentativa de minimizar eventuais falhas do governo.
Durante o discurso, Lula também elogiou Geraldo Alckmin, destacando sua lealdade, capacidade de trabalho e honestidade. O presidente afirmou estar satisfeito com a decisão unânime do PSB de indicar novamente o vice-presidente para compor a chapa governista.
Segundo Lula, a escolha do vice demonstra a capacidade de um candidato para governar. O petista classificou Alckmin como alguém em quem deposita confiança para trabalhar pelo funcionamento do país.
O PSB confirmou oficialmente sua participação na coligação que apoiará a candidatura de Lula à reeleição. De acordo com o partido, a legenda pretende participar da construção de palanques eleitorais em mais de 14 estados e apoiar a chapa presidencial nas 27 unidades da Federação.
Alckmin, por sua vez, afirmou que a nova indicação amplia sua responsabilidade política. O vice-presidente prometeu permanecer ao lado de Lula com “lealdade” e “dedicação” durante a campanha eleitoral.
Lula também convocou os militantes do PSB a ampliarem a atuação nas redes sociais. O presidente pediu que apoiadores conheçam e divulguem as ações do governo, argumentando que o grupo governista precisa enfrentar a circulação de informações falsas e a disputa promovida pelos algoritmos das plataformas digitais.
O otimismo demonstrado pelo presidente encontra respaldo parcial nas pesquisas eleitorais mais recentes. Levantamentos divulgados em julho colocam Lula na liderança contra o senador Flávio Bolsonaro, principal nome da oposição, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Uma pesquisa Datafolha apontou Lula com 48% contra 43% de Flávio em uma eventual disputa de segundo turno. Já levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta quarta-feira (29) mostrou o petista com 49,2%, diante de 42,9% do candidato do PL. A Genial/Quaest também colocou Lula à frente, com 45% contra 37%.
Apesar da vantagem, o cenário ainda não permite considerar a eleição definida. As pesquisas representam o momento em que foram realizadas e a disputa poderá sofrer alterações durante a campanha oficial, especialmente após o início da propaganda eleitoral, dos debates e da apresentação dos programas de governo.
A candidatura de Lula deverá ser formalmente confirmada pelo PT durante a convenção nacional do partido, marcada para domingo, 2 de agosto, em São Paulo.
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