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Lula defende Jaques Wagner no caso Master e diz ter “consciência” de que senador é honesto

Presidente afirma que não romperá com aliado por causa de suspeitas; senador baiano foi alvo de operação da PF, que apura supostas vantagens econômicas relacionadas a ex-sócio do Banco Master

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Lula defende Jaques Wagner no caso Master e diz ter “consciência” de que senador é honesto

O presidente Lula saiu publicamente em defesa do senador baiano Jaques Wagner (PT) ao ser questionado sobre as investigações relacionadas ao Banco Master. Durante entrevista à TV Globo nessa quinta-feira (27), o petista afirmou confiar na honestidade do aliado político, mas reconheceu que Wagner deverá responder caso alguma irregularidade seja comprovada.

“Tenho consciência que o Wagner é honesto”, declarou Lula ao mencionar a relação de aproximadamente 45 anos que mantém com o senador, iniciada ainda no período do movimento sindical. O presidente acrescentou que, se ficar demonstrado que o parlamentar cometeu algum desvio, ele deverá “pagar o preço” pelo eventual erro.

A manifestação ocorre pouco mais de dois meses depois de Jaques Wagner ter sido alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho. Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Um dos principais focos da investigação é a relação de Wagner com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

Documentos da investigação citados pela Agência Brasil apontam que a PF encontrou elementos que, na avaliação dos investigadores, indicariam possível recebimento de vantagens econômicas pelo senador, direta ou indiretamente. Entre os episódios investigados estão a negociação envolvendo um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, repasses para empresa administrada por familiares, utilização de aeronaves particulares e ingressos para um show nos Estados Unidos.

A Polícia Federal também sustenta que a relação entre Wagner e Augusto Lima seria antiga e marcada por proximidade pessoal, condição que, na hipótese investigativa apresentada ao Supremo, poderia ter favorecido tratativas relacionadas aos interesses do grupo ligado ao Banco Master. As conclusões da PF, contudo, ainda estão submetidas à investigação e não representam condenação judicial do senador.

Wagner reconhece conhecer Augusto Lima, mas nega ter recebido vantagens ilícitas ou ter atuado politicamente para beneficiar o Banco Master. Sobre o apartamento citado pelos investigadores, o senador afirmou que pretendia ajudar a filha na aquisição de um imóvel e que pediu ao empresário que comprasse inicialmente a unidade para que posteriormente pudesse adquiri-la. Segundo Wagner, o imóvel nunca chegou a integrar seu patrimônio.

A defesa do senador também sustenta que ele não atuou no Congresso Nacional em benefício da instituição financeira. Em junho, os advogados chegaram a pedir ao Supremo a anulação das buscas realizadas pela Polícia Federal e argumentaram que uma emenda apresentada por Wagner envolvendo crédito buscava limitar juros e proteger consumidores, e não beneficiar o Master.

Durante a entrevista, Lula afirmou que não pretende romper politicamente com Wagner enquanto não houver comprovação das suspeitas investigadas.

O presidente argumentou que não considera demonstrada, até o momento, uma relação ilícita direta entre o senador e o Banco Master e defendeu a aplicação do princípio da presunção de inocência. Para Lula, as investigações devem seguir até que os fatos sejam esclarecidos, sem que acusações sejam tratadas antecipadamente como condenações.

A declaração de Lula, entretanto, acontece em um cenário no qual Wagner já sofreu consequências políticas decorrentes da investigação.

Em 24 de junho, seis dias depois da operação da Polícia Federal, Jaques Wagner anunciou que deixaria a liderança do governo no Senado. Segundo ele, a decisão foi tomada de comum acordo com Lula. Wagner afirmou naquele momento que passaria a priorizar sua defesa e sua campanha à reeleição. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu posteriormente a função.

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