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Lula confirma conversa fora da agenda com dono do Master e diz ter avisado sobre investigação técnica do Banco Central

De acordo com o presidente, após o encontro com Vorcaro, ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na ocasião, Lula teria destacado que o episódio representaria uma oportunidade inédita de enfrentar esquemas estruturais de corrupção financeira no país

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Lula confirma conversa fora da agenda com dono do Master e diz ter avisado sobre investigação técnica do Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que manteve uma conversa fora da agenda oficial com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em meio à crise envolvendo a instituição financeira. Segundo o próprio presidente, durante o encontro ele deixou claro ao empresário que não haveria qualquer tipo de interferência política nas apurações e que eventuais irregularidades seriam analisadas exclusivamente sob critérios técnicos pelo Banco Central.

“Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central. Você fique tranquilo, que a política não entrará na investigação do seu banco, o que entrará será a competência técnica do Banco Central pra saber se está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem. E é isso que está sendo feito”, afirmou Lula, ao relatar o teor da conversa.

De acordo com o presidente, após o encontro com Vorcaro, ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na ocasião, Lula teria destacado que o episódio representaria uma oportunidade inédita de enfrentar esquemas estruturais de corrupção financeira no país.

“Eu disse a eles que nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção, da lavagem de dinheiro neste país”, declarou o petista, reforçando o discurso de que o governo não pretende blindar investigados, independentemente de sua posição econômica.

Lula também minimizou a repercussão negativa em torno do contrato firmado entre o Banco Master e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, atualmente ministro do Supremo Tribunal Federal aposentado. Para o presidente, a contratação não configura irregularidade nem conflito ético, destacando o prestígio profissional do jurista.

“Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu. Todo bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade”, disse Lula, ao rebater críticas da oposição e de setores do mercado.

Diante do desgaste político provocado pelo caso, Lula e a cúpula do PT têm adotado uma estratégia clara de distanciamento da crise. A narrativa do partido se sustenta no apoio irrestrito às investigações conduzidas pelos órgãos de controle e na tentativa de associar eventuais desdobramentos negativos à atuação de adversários políticos, especialmente da oposição.

Nos bastidores, porém, a confirmação de uma conversa reservada entre o presidente da República e o controlador de um banco sob suspeita acendeu alertas em setores do Congresso e do sistema financeiro, que acompanham com atenção os próximos passos do Banco Central e do Ministério Público no aprofundamento das investigações.

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