Política
"Leva tudo pra vala", "dá uma entupida na boca dele" e "madeira neles", falas de Jerônimo mostram seu lado ditador e reforça sua rejeição no interior
O caso de maior repercussão ocorreu em maio deste ano, durante um discurso no município de América Dourada, no interior da Bahia

As recentes declarações do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reacenderam o debate sobre a postura do chefe do Executivo baiano diante de críticas e cobranças públicas. Em menos de um ano, o petista protagonizou ao menos três episódios marcados por falas consideradas agressivas, autoritárias e que, segundo especialistas e opositores, incitam violência contra quem se opõe ao governo.
O caso de maior repercussão ocorreu em maio deste ano, durante um discurso no município de América Dourada, no interior da Bahia. Ao criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores, Jerônimo afirmou que eles iriam “pagar pelas pessoas que sentiram falta de ar na pandemia”. Na sequência, elevou o tom:
“Fazia no pacote. Bota uma ‘enchedeira’. Sabe o que é uma ‘enchedeira’? Uma retroescavadeira. Bota e leva tudo para vala”, disse o governador, em referência aos apoiadores do ex-presidente.
A frase repercutiu nacionalmente e gerou forte reação, levando o próprio governador a recuar dias depois. Em nota, ele afirmou que teve suas palavras retiradas de contexto. “Quem me conhece sabe que sou uma pessoa religiosa, de família, e que nunca vou tratar qualquer opositor com um tratamento deste”, declarou, tentando minimizar o episódio.
Contudo, a tentativa de amenizar a crise não impediu novas declarações controversas. No episódio mais recente, Jerônimo voltou a ser criticado após reagir com rispidez a um morador de Dário Meira que utilizou as redes sociais para cobrar o andamento de uma obra anunciada pelo governo e atualmente paralisada. Em resposta, o governador afirmou que era preciso “entupir a boca” do morador e completou com a expressão “madeira nele”, frases que imediatamente geraram acusações de violência verbal e intolerância à crítica.
A recorrência dos episódios tem levado analistas políticos a apontarem um aparente desequilíbrio emocional do governador, sobretudo em momentos de forte cobrança ou desgaste público. Em outra ocasião, Jerônimo demonstrou irritação até mesmo com aliados, durante um discurso em Barra do Choça, no sudoeste baiano. Visivelmente incomodado com conversas no palanque, disparou:
“Quem quiser descer, pode descer. Mas aqui em cima, bora ouvir. Eu ouvi todos vocês. Eu vou descer ou vocês vão ficar em silêncio aí?”
As falas, somadas, têm alimentado debates sobre o estilo de liderança do governador e sua dificuldade em lidar com pressões e críticas — seja de adversários, seja da própria base. O comportamento, considerado por muitos como incompatível com o cargo que ocupa, pode se tornar um ponto vulnerável em sua imagem política à medida que a oposição intensifica o monitoramento de seus discursos e declarações públicas.
Enquanto isso, setores da sociedade civil e da imprensa cobram que o governador adote uma postura mais institucional e conciliadora, sobretudo em um estado marcado por desafios sociais profundos e que exige diálogo permanente com a população.
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