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Jerônimo tenta comprar briga com Gleisi Hoffmann para defender Jacques Wagner

A manifestação de Jerônimo foi interpretada nos bastidores como um movimento de enfrentamento direto à posição da ministra Gleisi Hoffmann, ampliando o ruído interno no PT em um momento de sensibilidade política para o governo Lula

Por Redação Diário Paralelo2 min de leitura
Jerônimo tenta comprar briga com Gleisi Hoffmann para defender Jacques Wagner

Uma nova tensão interna expôs divergências públicas dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e colocou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, em rota de colisão política com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, um dos principais nomes do núcleo duro do governo Lula. O embate gira em torno da condução do senador Jaques Wagner (PT-BA) no acordo firmado com a oposição para a aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

A controvérsia ganhou força na quarta-feira (17), quando Gleisi Hoffmann negou publicamente a existência de qualquer negociação ou acordo envolvendo o governo federal em torno do projeto. A declaração veio após críticas de parlamentares da base aliada e da oposição sobre a tramitação da matéria, que trata da dosimetria das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Logo após a votação na CCJ, Jaques Wagner reagiu às acusações feitas pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que afirmou que o governo estaria oferecendo um “presente de Natal” aos “golpistas que atentaram contra a democracia”. Em resposta, o senador petista declarou que “não se envergonhava do que havia feito”, sustentando a legalidade e a legitimidade de sua atuação à frente da liderança do governo no Senado.

A posição de Wagner, no entanto, foi duramente criticada por Gleisi Hoffmann. A ministra classificou a condução do senador como um “erro” e considerou a situação “lamentável”, afirmando que a iniciativa contrariou a orientação oficial do governo federal. A fala evidenciou um racha público dentro do PT e gerou desconforto entre lideranças da legenda.

Diante do desgaste, o governador Jerônimo Rodrigues saiu em defesa do correligionário. Em conversa com a imprensa baiana nesta sexta-feira (19), o chefe do Executivo estadual afirmou que “ninguém pode pôr em xeque” a palavra e o trabalho de Jaques Wagner, ressaltando a trajetória do senador e sua atuação como líder do governo no Senado Federal.

A manifestação de Jerônimo foi interpretada nos bastidores como um movimento de enfrentamento direto à posição da ministra Gleisi Hoffmann, ampliando o ruído interno no PT em um momento de sensibilidade política para o governo Lula. O episódio expõe disputas de narrativa, divergências estratégicas e dificuldades de alinhamento dentro da própria base governista, especialmente em temas considerados centrais para a agenda institucional e para a defesa da democracia.

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