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Jerônimo Rodrigues causa indignação ao afirmar que pediu para manter pacientes em corredores de hospitais

A postura foi interpretada como uma tentativa de transferir responsabilidades e minimizou, segundo críticos, a gravidade da superlotação que atinge diversas unidades do estado

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Jerônimo Rodrigues causa indignação ao afirmar que pediu para manter pacientes em corredores de hospitais

Uma declaração do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), repercutiu de forma negativa nas redes sociais e reacendeu críticas sobre a situação da saúde pública no estado. Durante agenda institucional realizada nesta sexta-feira, (14), em Santo Antônio de Jesus, o chefe do Executivo baiano afirmou que orientou a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, a permitir que pacientes permanecessem nos corredores de unidades hospitalares, mesmo diante das denúncias de superlotação.

O comentário, classificado por internautas como “bizarro” e “desrespeitoso”, viralizou rapidamente e se tornou alvo de duras críticas de baianos que convivem diariamente com a precariedade na regulação e na oferta de leitos.

Em seu discurso, Jerônimo relatou que, ao solicitar informações sobre a situação da regulação no Hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, recebeu da secretária a confirmação de que havia pacientes nos corredores. Segundo ele, a resposta foi no sentido de manter a situação como estava:

“Quando eu vejo, no final de semana, que eu peço o relatório à secretária Roberta: ‘Roberta, como é que está hoje a regulação?’ — ‘Governador, tem gente nos corredores do Clériston Andrade.’ Eu falei: ‘Deixe. Pede para o Ministério Público vir me consultar’”, declarou.

A fala provocou forte reação pública, já que, para muitos, o governador tratou com naturalidade um problema antigo e grave da saúde estadual: a lotação de hospitais e o acúmulo de pacientes à espera de atendimento em macas improvisadas.

Além disso, Jerônimo fez críticas a prefeitos e até mesmo aos pacientes, afirmando que muitos deles não deveriam estar “ali” — referindo-se aos hospitais de maior complexidade — mas sim em unidades de saúde básicas, UPAs ou hospitais municipais.

A postura foi interpretada como uma tentativa de transferir responsabilidades e minimizou, segundo críticos, a gravidade da superlotação que atinge diversas unidades do estado.

Nas redes sociais, vídeos do pronunciamento acumulam milhares de compartilhamentos e comentários indignados de profissionais de saúde, lideranças políticas e cidadãos que já enfrentaram filas da regulação. Muitos apontam que o governador desconsiderou a dor e o sofrimento de pacientes que, sem alternativas, aguardam por atendimento adequado nos corredores.

Até o momento, o governo do estado não divulgou nota oficial esclarecendo o contexto da fala ou apresentando medidas para enfrentar o problema das filas e da regulação, que segue como uma das maiores reclamações entre os baianos. Enquanto isso, a repercussão continua crescendo, ampliando o desgaste da gestão estadual diante de um dos temas mais sensíveis para a população: a saúde pública.

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