Diário Paralelo — Diariamente com Você!

Política

Jerônimo reúne cúpula do PT em show de Maria Bethânia para celebrar a mediocridade do seu governo

A celebração de Jerônimo e sua equipe, neste contexto, não é apenas inadequada. É uma afronta. É a confirmação de que a distância entre o Palácio de Ondina e o povo baiano nunca foi tão grande

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Jerônimo reúne cúpula do PT em show de Maria Bethânia para celebrar a mediocridade do seu governo

A noite desse sábado (16), no Teatro Castro Alves, ofereceu à Bahia um espetáculo que ultrapassou o palco de Maria Bethânia. Nos camarotes e corredores da casa mais simbólica da cultura baiana, a cúpula do PT comemorava — mas não havia ali motivo legítimo para festa. O que se viu foi a celebração silenciosa da mediocridade de um governo que falha, dia após dia, em oferecer respostas mínimas a um estado sufocado pela violência, pelo colapso da saúde e pela estagnação social.

Enquanto o Recôncavo e o extremo-sul viviam dias de tensão por causa da escalada criminosa que aterroriza comunidades inteiras, o governador Jerônimo Rodrigues, seu principal articulador Adolpho Loyola e outros membros da administração estadual ocupavam assentos privilegiados para assistir ao show. Era a prova mais cristalina de um governo que parece ter se descolado por completo da realidade — ou pior, que se recusa a encará-la.

A Bahia enfrenta hoje um dos cenários mais críticos de segurança pública de sua história recente. Bairros inteiros dominados por facções, cidades sob toque de recolher informal, batalhões sobrecarregados, e uma população acuada. Enquanto isso, o chefe do Executivo brindava a noite, como se governar fosse uma mera formalidade burocrática, e não a responsabilidade maior de proteger vidas.

Se a crise na segurança já não fosse suficiente para exigir seriedade absoluta, a semana ainda foi marcada por uma declaração que chocou até o eleitor mais desatento. Na sexta-feira (14), Jerônimo Rodrigues afirmou que orientou a Secretaria de Saúde a manter pacientes transferidos nos corredores dos hospitais estaduais — culpando prefeitos e pacientes pelo caos no sistema. Segundo ele, o problema não está na falta de leitos, de investimento adequado ou de gestão, mas sim na decisão das pessoas de buscar atendimento digno em unidades reguladas.

O que o governador parece ignorar — ou finge ignorar — é que ninguém procura a regulação por capricho. Ninguém prefere a incerteza de uma ambulância à porta de um hospital lotado a ser atendido perto de casa. A regulação é buscada porque as unidades básicas e muitos hospitais municipais, há anos, não têm estrutura para casos mais graves. Transferir a responsabilidade para prefeitos e doentes é, ao mesmo tempo, cruel e covarde.

A cena da cúpula governista comemorando, enquanto a Bahia mergulha numa crise social que se agrava a cada semana, é simbólica. É um tapa no rosto de milhões de baianos que não têm o privilégio de escapar, nem por algumas horas, do caos que os cerca. É o retrato de um governo que parece ter desistido de governar, mas não de festejar.

O show de Maria Bethânia — artista grandiosa, cuja obra merece reverência — acabou se tornando, involuntariamente, palco para a exibição da alienação política. Enquanto a voz majestosa da artista ecoava pelo TCA, do lado de fora ecoavam sirenes, lamentos, pedidos de ajuda, filas, medo e frustração. Realidades completamente distintas que, no entanto, se encontram sob a mesma responsabilidade: o governo do Estado.

A celebração de Jerônimo e sua equipe, neste contexto, não é apenas inadequada. É uma afronta. É a confirmação de que a distância entre o Palácio de Ondina e o povo baiano nunca foi tão grande.

A Bahia não precisa de governantes que dancem enquanto a casa pega fogo. Precisa de líderes que enfrentem as chamas — e não que as ignorem, sorridentes, sob as luzes confortáveis de um teatro.

Matérias relacionadas