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Javier Milei volta à atacar Lula e chama petista de 'ladrão' e 'corrupto'

Presidente argentino repetiu acusações durante entrevista à televisão, distorceu a cronologia das decisões judiciais envolvendo o petista e ampliou a tensão entre os dois maiores países do Mercosul

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Javier Milei volta à atacar Lula e chama petista de 'ladrão' e 'corrupto'

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar o tom contra Luiz Inácio Lula da Silva e aprofundou a crise diplomática entre os dois países. Em entrevista exibida nesse domingo, (2), pelo programa La Cornisa, da emissora argentina LN+, o líder argentino chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto” e afirmou que o petista não teria sido considerado inocente nos processos da Operação Lava Jato.

As declarações foram feitas durante entrevista ao jornalista Luis Majul. Milei sustentou que Lula teria sido libertado devido a uma “falha no procedimento” e tentou apresentar as acusações como uma constatação jurídica. A versão, entretanto, mistura decisões diferentes tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os novos ataques acontecem poucos dias depois de Milei participar, em São Paulo, da convenção nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Durante o evento partidário, realizado em 25 de julho, o presidente argentino atacou Lula, o ministro Alexandre de Moraes e instituições brasileiras. Além de chamar o petista de “presidiário”, Milei defendeu abertamente a candidatura de Flávio e pediu aos brasileiros que interrompessem o avanço do que classificou como socialismo.

A participação de um presidente estrangeiro em uma convenção eleitoral brasileira e os ataques proferidos em território nacional foram interpretados pelo governo como interferência nos assuntos internos do país.

Como resposta, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, e convocou o representante argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir formalmente a insatisfação do governo brasileiro. O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações como grosseiras e inaceitáveis.

Questionado posteriormente sobre Milei, Lula evitou um confronto direto e respondeu de maneira irônica: “Quem é esse cara?”. A postura indicava que o Palácio do Planalto pretendia reduzir a temperatura da crise. A nova entrevista do argentino, entretanto, recolocou o conflito no centro do debate político.

Além dos ataques pessoais, Milei acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha digital contra a Argentina durante a Copa do Mundo. O presidente argentino citou ainda os governos do México e da Espanha, integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos e setores ligados ao kirchnerismo.

Nenhuma prova concreta da suposta articulação internacional foi apresentada.

A Casa Rosada tentou justificar as declarações anteriores como resultado das diferenças ideológicas entre os dois presidentes e informou que não pretendia pedir desculpas. O governo argentino também declarou que esperava preservar as relações comerciais entre os países. Parlamentares da oposição argentina, por outro lado, repudiaram os ataques e classificaram a postura de Milei como prejudicial aos interesses nacionais.

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