Política
Jaques Wagner diz que “sonho” inspirado em Lula virou realidade na Bahia
Senador atribuiu ao PT a libertação da Bahia do “medo e da opressão”, mas inicia campanha pela reeleição pressionado por investigação sobre supostas vantagens recebidas de pessoas ligadas ao Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT) recorreu à memória da eleição de 2006 para apresentar a permanência do seu grupo político no comando da Bahia como a realização de um antigo sonho. A declaração foi feita após a convenção governista realizada no sábado (1º), no Parque de Exposições, em Salvador, que oficializou sua candidatura à reeleição para o Senado.
No card publicado nas redes sociais, Wagner afirmou que sonhava com “um governo inspirado no presidente Lula na Bahia”. Acompanhada de uma fotografia do presidente diante da multidão, a peça sustenta que o projeto imaginado pelo petista teria se transformado em realidade.
Em uma publicação posterior, Jaques Wagner ampliou o discurso e apresentou a chegada do PT ao governo baiano como uma ruptura histórica.
“Ao olhar as 30 mil pessoas presentes na nossa convenção hoje, vejo que meu sonho virou realidade. Em 2006, inspirados no presidente Lula, libertamos a Bahia do medo e da opressão. De lá pra cá, a Bahia respira liberdade, democracia e modernidade e é assim que vamos continuar. Essa história tem futuro!”, escreveu o senador.
A declaração representa a narrativa política construída pelo PT desde a vitória de Wagner sobre Paulo Souto, em 2006, quando o partido encerrou um longo ciclo de domínio do grupo ligado ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães. Desde janeiro de 2007, a Bahia é governada sucessivamente por Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues.
Ao afirmar que o seu grupo “libertou” o estado e passou a representar liberdade, democracia e modernidade, Wagner transforma a convenção em uma espécie de balanço dos quase 20 anos de governos petistas. Trata-se, contudo, de uma avaliação política e partidária que será confrontada, durante a campanha, com os indicadores sociais, econômicos, educacionais e de segurança pública acumulados nesse período.
Caso Master acompanha início da campanha
A celebração ocorre em um momento particularmente delicado para Jaques Wagner. Oficializado candidato ao Senado, o petista deverá prestar depoimento à Polícia Federal na sexta-feira, 7 de agosto, no inquérito que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. A data da oitiva foi confirmada após a intimação do parlamentar.
Wagner foi alvo, em 18 de junho, de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A medida fez parte da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e uma possível relação ilícita entre agentes públicos e integrantes do grupo financeiro ligado ao antigo Banco Master.
A investigação procura esclarecer se o senador e pessoas do seu entorno familiar receberam vantagens econômicas indevidas por intermédio do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco.
Entre os elementos citados pela Polícia Federal estão a possível aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa associada ao núcleo familiar do senador, utilização de aeronaves privadas e ingressos para um show internacional destinados a familiares. Os investigadores também apuram se houve atuação parlamentar em assuntos de interesse da instituição financeira. Essas suspeitas constam da decisão que autorizou as diligências.
Documentos tornados públicos também apontam que Wagner e Augusto Lima realizaram ao menos 74 chamadas telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando aproximadamente cinco horas e meia de conversas. A Polícia Federal analisa a proximidade entre os dois e tenta estabelecer se os contatos tiveram relação com interesses privados do Banco Master. Os registros foram extraídos do celular do empresário.
O senador nega ter recebido qualquer vantagem indevida e afirma que provará sua inocência. Wagner também declarou que sua relação com Daniel Vorcaro era “praticamente zero” e sustenta que não atuou irregularmente em favor do Banco Master. Orientado pelos advogados, ele tem evitado responder detalhadamente sobre o inquérito durante os compromissos eleitorais.
Após ser alvo da operação, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado. Na ocasião, afirmou que a prioridade seria demonstrar sua inocência e dedicar-se às campanhas de Lula, Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e à própria reeleição.
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