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Imagem de Lula e Geddel na convenção do PT na Bahia reacende histórico de prisões e escândalos da dupla

Registro dos aliados chegando juntos ao evento ganhou repercussão nas redes sociais e voltou a colocar sob os holofotes o peso político do cacique do MDB na campanha petista

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Imagem de Lula e Geddel na convenção do PT na Bahia reacende histórico de prisões e escândalos da dupla

Uma imagem registrada nesse sábado (1º), durante a convenção que oficializou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues (PT) à reeleição na Bahia, acabou se transformando em um dos momentos mais comentados do evento realizado no Parque de Exposições, em Salvador.

A fotografia mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegando ao local ao lado do ex-ministro Geddel Vieira Lima, principal liderança do MDB baiano. De roupas claras e usando chapéu, Lula aparece caminhando enquanto Geddel o acompanha poucos passos atrás.

A cena não passou despercebida. Compartilhado intensamente nas redes sociais, o registro reacendeu discussões sobre o histórico judicial dos dois personagens e sobre as alianças políticas que sustentam o projeto de reeleição do governador baiano.

A presença conjunta também serviu como demonstração pública do prestígio que Geddel continua exercendo dentro da base governista. O próprio emedebista divulgou imagens de sua chegada com Lula e lembrou que integrou o segundo governo do petista como ministro da Integração Nacional. Geddel classificou a convenção como o início de uma caminhada em busca de uma “vitória consagradora” na Bahia.

Mais do que um encontro casual, a imagem simboliza uma aliança política construída ao longo dos últimos anos. O MDB integra formalmente o governo Jerônimo Rodrigues e ocupa a vice-governadoria com Geraldo Júnior. Geddel, mesmo sem mandato eletivo, permanece como um dos principais articuladores da legenda no estado e defensor da continuidade da parceria com o PT.

A repercussão negativa em torno da fotografia está relacionada, principalmente, ao histórico judicial dos dois políticos. Lula e Geddel chegaram a cumprir prisão, embora em circunstâncias jurídicas diferentes.

Geddel foi preso em 2017 e posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo envolvendo os mais de R$ 51 milhões encontrados pela Polícia Federal dentro de malas e caixas em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador. O imóvel era utilizado pelo ex-ministro.

Em 2019, a Segunda Turma do STF condenou Geddel pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Posteriormente, a condenação por associação criminosa foi derrubada, mas a pena por lavagem de dinheiro foi mantida. O político obteve liberdade condicional em 2022. A condenação foi divulgada pelo próprio STF.

Lula, por sua vez, permaneceu preso durante 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019, após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

A aparição de Geddel ao lado do presidente ganhou ainda mais repercussão porque ocorre poucos meses depois de o nome do cacique do MDB voltar a aparecer em uma investigação criminal de grande gravidade na Bahia.

Em abril deste ano, o ex-deputado federal Uldurico Júnior foi preso preventivamente durante a Operação Duas Rosas. Segundo o Ministério Público da Bahia, Uldurico foi denunciado por organização criminosa e corrupção, sob a acusação de negociar o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024.

Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, facção com ligação com o Comando Vermelho. As acusações contra Uldurico foram detalhadas oficialmente pelo MP-BA.

A partir dos depoimentos e mensagens obtidos durante as investigações, Geddel passou a ser investigado sob a suspeita de que poderia receber R$ 1 milhão, correspondente à metade da suposta vantagem negociada para facilitar a fuga.

De acordo com informações atribuídas às investigações, Uldurico teria mencionado Geddel como seu “chefe” em conversas com a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. O Ministério Público instaurou um procedimento investigatório para apurar se o ex-ministro teria alguma participação ou seria beneficiário dos valores. O procedimento foi revelado em reportagem da Agência Estado.

Geddel nega qualquer envolvimento. Ele afirma que Uldurico teria utilizado seu nome indevidamente para demonstrar influência política e sustenta que não conhece a ex-diretora da unidade prisional. Até o momento, não existe condenação contra o emedebista nesse novo caso.

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