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Haddad insinua que agentes da PF podem agir de forma irregular em investigação envolvendo Lulinha

Candidato do PT ao Governo de São Paulo defendeu apuração sobre vazamentos de inquéritos, mas afirmou que investigações envolvendo o filho do presidente Lula devem continuar

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Haddad insinua que agentes da PF podem agir de forma irregular em investigação envolvendo Lulinha

O candidato do PT ao Governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou confiar na Polícia Federal como instituição, mas ponderou que essa confiança não significa considerar que todos os integrantes da corporação estejam necessariamente agindo de maneira correta.

A declaração foi dada nesta segunda-feira (24), durante sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, ao comentar as investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Confiar numa instituição não significa dizer que todos os membros daquela instituição estão agindo corretamente”, declarou Haddad.

A fala ocorreu após o petista ser questionado sobre as críticas feitas pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha e também integra a coordenação da campanha de Lula em São Paulo. Carvalho acusa setores da Polícia Federal de promoverem vazamentos seletivos relacionados às investigações, com supostas motivações políticas e eleitorais. A alegação é da defesa e não representa, até o momento, uma conclusão das autoridades responsáveis pelas apurações.

Ao abordar o caso, Haddad argumentou que uma eventual divulgação ilegal de informações protegidas por sigilo também deve ser investigada.

Segundo o candidato, ninguém pode cometer uma ilegalidade sob a justificativa de estar combatendo outra.

O petista lembrou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de investigação para apurar os vazamentos relacionados aos inquéritos. Haddad considerou correta a iniciativa.

Ao mesmo tempo, fez questão de defender a continuidade das apurações relacionadas a Lulinha.

“E faz muito bem o ministro de continuar apurando as atividades de quem quer que seja, inclusive do filho do presidente”, afirmou.

A posição representa uma tentativa de estabelecer uma linha clara entre duas questões diferentes: de um lado, as suspeitas investigadas contra o filho do presidente; de outro, a possível divulgação irregular de informações sigilosas produzidas durante essas investigações.

Outro trecho relevante da sabatina foi a avaliação de Haddad de que seria uma “ingenuidade” imaginar que o ambiente de forte polarização política existente no país não pudesse alcançar também integrantes das instituições brasileiras.

Apesar da crítica, o candidato reiterou confiança institucional na Polícia Federal.

A declaração expõe uma posição politicamente delicada para o PT. O partido precisa responder às acusações envolvendo o filho do presidente sem parecer estar buscando enfraquecer ou desacreditar uma instituição que atualmente funciona sob um governo petista.

Ao mesmo tempo, a defesa de Lulinha vem endurecendo o discurso contra a forma como elementos dos inquéritos chegam à imprensa, especialmente em pleno período eleitoral.

Durante a entrevista, Fernando Haddad também levou a discussão para o terreno eleitoral e comparou a conduta de Lula com a do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação do candidato, Lula não estaria utilizando a Presidência da República para interferir nas investigações ou proteger o filho.

Haddad argumentou que essa seria uma diferença entre os dois ex-adversários presidenciais, acusando Bolsonaro de ter buscado proteger familiares durante seu governo.

A comparação faz parte da argumentação política de Haddad e ocorre no contexto da campanha eleitoral de 2026.

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