Política
Haddad diz que “taxa das blusinhas” não tem nada a ver com ele e atribui cobrança ao Congresso e ao varejo
Candidato ao governo de São Paulo afirma que Lula era contrário à tributação; medida, porém, foi sancionada pelo presidente e chegou a ser defendida pelo então ministro da Fazenda

O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a tentar se desvincular da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança que atingiu compras internacionais de pequeno valor e provocou forte reação entre consumidores brasileiros.
Durante sabatina realizada pela CNN Brasil nessa segunda-feira (10), Haddad foi questionado sobre a associação de seu nome à taxação e respondeu: “Não tem nada a ver comigo”. Segundo ele, a proposta surgiu a partir de uma demanda do varejo brasileiro e acabou sendo introduzida no Congresso Nacional.
Haddad também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era contrário à criação da cobrança federal e chegou a considerar vetar a medida caso ela fosse aprovada pelo Legislativo. Na versão apresentada pelo ex-ministro, a intenção da tributação era reduzir a diferença de custos entre produtos comercializados no Brasil e mercadorias adquiridas diretamente em plataformas estrangeiras.
Na sabatina, Haddad também diferenciou a tributação federal da cobrança estadual de ICMS sobre as importações.
Segundo o petista, governadores participaram das discussões para permitir a incidência do imposto estadual sobre encomendas trazidas ao país por plataformas internacionais. Haddad citou especificamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A estratégia de Haddad é também eleitoral. O ex-ministro argumenta que adversários políticos transformaram a “taxa das blusinhas” em uma marca associada ao governo Lula e à sua passagem pela Fazenda, embora diferentes partidos e governos estaduais tenham participado das decisões relacionadas à tributação das importações.
Em maio deste ano, Lula mudou a política adotada anteriormente e o governo federal zerou novamente o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 realizadas dentro das regras do Programa Remessa Conforme.
A mudança ocorreu por meio da Medida Provisória nº 1.357/2026 e de ato do Ministério da Fazenda. A MP permanece em tramitação no Congresso e precisa ser analisada pelos parlamentares para que seus efeitos sejam mantidos de forma definitiva.
Mesmo com o fim da alíquota federal para essa faixa de compras, o ICMS cobrado pelos estados continua incidindo sobre as encomendas internacionais.
O episódio agora retorna ao debate político em plena campanha eleitoral. Para Haddad, afastar de sua imagem uma das medidas tributárias mais impopulares de sua passagem pelo Ministério da Fazenda tornou-se também parte da disputa de narrativa sobre quem, afinal, foi responsável pela chamada “taxa das blusinhas”.
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