Política
Haddad diz que, após eleito, fará “pente-fino” em contratos assinados por Tarcísio em São Paulo
Petista abriu série de sabatinas de O Globo, Valor e CBN nesta quarta-feira (19), atacou a gestão do governador paulista e apresentou propostas para segurança pública com uso de inteligência artificial

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, utilizou seu espaço em uma sabatina nesta quarta-feira (19), para elevar o tom contra o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), principalmente nas áreas de segurança pública, concessões e prestação de serviços.
Um dos principais compromissos assumidos pelo petista foi realizar uma revisão minuciosa dos contratos firmados durante a administração Tarcísio caso seja eleito governador.
Haddad afirmou que pretende fazer um “pente-fino” nas concessões estaduais e citou diretamente a Sabesp e linhas ferroviárias concedidas à iniciativa privada. Segundo ele, revisar contratos recebidos de uma administração anterior seria obrigação de qualquer gestor.
Apesar das críticas à privatização da Sabesp, Haddad evitou assumir o compromisso de devolver a companhia ao controle estatal.
O candidato reconheceu que existem setores da população favoráveis à reestatização, mas alertou que desfazer uma privatização recém-concluída provocaria uma complexa disputa jurídica.
Em vez disso, afirmou que, caso eleito, pretende negociar e revisar aspectos contratuais relacionados ao abastecimento, às tarifas e às garantias oferecidas aos consumidores.
A postura indica uma tentativa de Haddad de explorar politicamente um dos principais símbolos da administração Tarcísio sem assumir, durante a campanha, uma promessa cuja execução poderia enfrentar obstáculos jurídicos e financeiros.
O petista voltou a defender a utilização de câmeras corporais por policiais e criticou a infraestrutura tecnológica disponível atualmente nas delegacias paulistas. Também apresentou uma proposta que pretende transformar o registro de ocorrências policiais.
A ideia é permitir que cidadãos registrem boletins de ocorrência através do WhatsApp, com auxílio de inteligência artificial.
Segundo a proposta apresentada, o sistema faria perguntas à vítima para reunir informações como local do crime, características do suspeito, objetos roubados e outras circunstâncias da ocorrência. Posteriormente, esses dados seriam utilizados para alimentar sistemas de inteligência destinados ao patrulhamento e às investigações.
Haddad também defende a criação de uma estrutura integrada de combate ao crime organizado, envolvendo as polícias estaduais e órgãos federais de investigação e inteligência.
Durante a sabatina, Haddad também foi questionado sobre a possibilidade de a eleição paulista representar uma espécie de antecipação da disputa presidencial de 2030.
Ele rejeitou essa interpretação.
Na avaliação do candidato, o cenário político mundial tornou-se demasiadamente instável para previsões com quatro anos de antecedência. Haddad argumentou que novos nomes políticos podem surgir rapidamente e modificar completamente uma eleição.
A resposta também ajuda o petista a tentar manter o debate concentrado em São Paulo, apesar do peso nacional dos dois principais personagens da corrida estadual.
Haddad foi candidato à Presidência da República em 2018 e ministro da Fazenda no governo Lula. Tarcísio, por sua vez, foi ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro e tornou-se um dos principais nomes nacionais ligados ao campo político da direita.
Matérias relacionadas

Política
Vídeo mostra homem cobrando a Rui Costa resposta sobre o caso dos respiradores

Política
Tarcísio abre 20 pontos sobre Haddad e desenha derrota humilhante do petista no 1º turno, diz Datafolha

Política
Lula teve encontro com Vorcaro e avisou ao banqueiro sobre investigações contra o Banco Master

Política
