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Haddad chama filme sobre Bolsonaro de “segunda categoria” e cobra explicações sobre financiamento milionário

Candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro voltou a explorar o caso “Dark Horse” e defendeu que patrimônio, relações com empresários e origem de recursos entrem no debate eleitoral

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Haddad chama filme sobre Bolsonaro de “segunda categoria” e cobra explicações sobre financiamento milionário

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a mirar a família Bolsonaro ao comentar as controvérsias envolvendo Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante entrevista concedida à CNN nessa segunda-feira, (10), o petista classificou a produção como um “filme de segunda categoria” e questionou os valores milionários associados ao financiamento do projeto.

Será que é verdade que aquele filme de segunda categoria custou R$ 134 milhões para ser feito? Essas perguntas cabem fazer”, afirmou Haddad.

A declaração ocorre em meio a uma campanha paulista cada vez mais atravessada pelo embate político nacional. Haddad foi oficializado candidato ao governo de São Paulo pelo PT no fim de julho e tem utilizado temas relacionados ao bolsonarismo para confrontar seus adversários e reforçar o discurso de fiscalização sobre patrimônio, financiamento político e relações entre agentes públicos e empresários.

Apesar da referência feita pelo petista, não está comprovado que Dark Horse tenha custado R$ 134 milhões. O valor corresponde aos aproximadamente US$ 24 milhões mencionados nas tratativas reveladas entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção. Uma perícia privada contratada pela defesa da produtora Go Up Entertainment estimou posteriormente que os gastos com o longa no Brasil e nos Estados Unidos ficaram em aproximadamente R$ 75 milhões.

O financiamento do filme tornou-se um problema político para Flávio Bolsonaro depois da divulgação de áudios e mensagens sobre a busca de recursos junto a Vorcaro. O senador reconheceu ter procurado investidores para viabilizar a produção, mas nega irregularidades. Em entrevista à CNN, afirmou que o dinheiro recebido foi “100% investido no filme” e sustentou que se tratava de recursos privados destinados a uma atividade cultural. Também declarou disposição para tornar públicos os contratos, condicionada às regras da estrutura financeira responsável pelo investimento.

O episódio, no entanto, ultrapassou o campo da disputa retórica. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar repasses destinados ao longa e verificar a efetiva destinação dos recursos indicados em documentos e notas fiscais. A abertura da investigação, por si só, não representa conclusão de que tenha ocorrido crime ou irregularidade.

Haddad já havia explorado o assunto anteriormente. Em junho, o ex-ministro questionou publicamente o volume de dinheiro envolvido na produção e cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre a movimentação dos recursos para os Estados Unidos.

Na entrevista desta segunda-feira, o petista também recuperou antigas acusações e questionamentos dirigidos a Flávio relacionados à aquisição de imóveis. Ao trazer os episódios novamente para o debate, Haddad argumentou que candidatos a cargos majoritários precisam estar sujeitos a escrutínio sobre evolução patrimonial, origem de recursos, financiamento de iniciativas políticas e relações mantidas com empresários.

A movimentação revela também uma estratégia eleitoral. Ao colocar Flávio e Jair Bolsonaro no centro de suas declarações, Haddad amplia uma disputa que formalmente ocorre pelo governo de São Paulo e a conecta ao embate nacional entre petismo e bolsonarismo. Essa nacionalização já apareceu no primeiro debate da eleição paulista, quando temas vinculados aos governos Lula e Bolsonaro ocuparam espaço importante na confrontação entre os principais candidatos.

No caso de Dark Horse, porém, a campanha eleitoral deverá conviver com duas questões distintas: a disputa política sobre o significado do filme e a apuração objetiva sobre seu financiamento. Enquanto adversários procuram transformar os valores envolvidos em argumento eleitoral, cabe às investigações esclarecer a origem, o caminho e a destinação efetiva dos recursos.

Ao chamar a produção de “filme de segunda categoria”, Haddad acrescentou ironia ao confronto. Mas a parte potencialmente mais relevante de sua declaração está além da avaliação cinematográfica: o petista sinaliza que pretende explorar, durante a campanha, todos os episódios capazes de colocar sob questionamento as relações financeiras e empresariais de seus adversários — e, particularmente, do grupo político ligado à família Bolsonaro.

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