Política
Gleisi troca vermelho do PT por verde e azul e deixa estrela discreta em campanha ao Senado
Nova identidade visual da candidata chama atenção pela ausência do tradicional vermelho petista; estratégia pode buscar reforçar vínculo com o Paraná e ampliar alcance entre eleitores fora da base tradicional do partido

A nova identidade visual utilizada por Gleisi Hoffmann, candidata do Partido dos Trabalhadores ao Senado pelo Paraná, chama atenção por uma mudança que dificilmente passa despercebida: o tradicional vermelho do PT praticamente desapareceu.
Na imagem oficial de campanha, Gleisi aparece diante de um fundo predominantemente verde. Logo abaixo de seu rosto, o número ocupa grande parte da peça, combinando tons de verde e azul. A tradicional estrela, um dos símbolos mais conhecidos do Partido dos Trabalhadores, está presente, mas aparece pequena, na cor amarela, posicionada na extremidade do número.
A mudança chama ainda mais atenção devido à própria trajetória da candidata. Gleisi esteve durante aproximadamente oito anos à frente da presidência nacional do PT e permanece sendo um dos nomes nacionalmente mais associados à legenda.
Historicamente, vermelho e branco estão diretamente ligados à identidade visual petista. A própria história oficial do partido registra a bandeira confeccionada com fundo vermelho e estrela branca, símbolo que ao longo das décadas se tornou uma das marcas mais reconhecidas da legenda no país.
Na atual campanha paranaense, porém, a composição apresentada é outra.
Uma das possíveis explicações é a tentativa de reforçar uma identidade regional.
A bandeira oficial do Paraná possui fundo verde, faixa branca e uma esfera azul. Portanto, verde e azul utilizados pela campanha de Gleisi encontram correspondência direta em dois dos principais elementos cromáticos do símbolo estadual.
Existe, contudo, outra questão inevitável diante da peça: a campanha estaria tentando diminuir visualmente a ligação de Gleisi com o PT?
Do ponto de vista da comunicação política, entretanto, é perceptível que os símbolos partidários perderam protagonismo na composição. O vermelho desapareceu, a estrela ficou pequena e o centro visual passou a ser o nome, a imagem da candidata.
A escolha pode representar uma estratégia de ampliar a comunicação para além do eleitorado que já se identifica com o Partido dos Trabalhadores.
E o histórico eleitoral recente do Paraná ajuda a entender por que uma estratégia dessa natureza seria relevante.
Nas eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro venceu no Paraná com 62,40% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 37,60%. Segundo levantamento publicado após a apuração, proporcionalmente o Paraná registrou a sexta maior votação de Bolsonaro entre os estados brasileiros.
Os números evidenciaram naquele pleito uma dificuldade eleitoral importante para o PT no estado, embora isso não signifique que o comportamento do eleitorado necessariamente se repetirá em 2026.
Nesse cenário, reduzir códigos visuais estritamente partidários pode funcionar como uma maneira de apresentar uma candidatura com identidade mais regional e menos dependente da identificação imediata com a legenda.
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