Política
Ex-vereador de Salvador doa mais de R$ 500 mil para senador Jaques Wagner
Transferência feita por Edvaldo Brito representa mais de 91% de tudo o que havia entrado na campanha do petista e ficou apenas cerca de R$ 664 abaixo do teto calculado para autofinanciamento

A campanha do senador Jaques Wagner (PT) à reeleição ganhou uma injeção financeira de peso logo no início da disputa eleitoral. O primeiro suplente da chapa, o ex-prefeito de Salvador Edvaldo Brito (PSD), transferiu R$ 533 mil para a campanha do petista em uma única operação bancária realizada na última segunda-feira, 18 de agosto.
Wagner já havia recebido outros R$ 50 mil do diretório estadual do PT. Com isso, a arrecadação registrada naquele momento chegou a R$ 583 mil. Somente a transferência feita por Edvaldo corresponde a aproximadamente 91,4% de todo o dinheiro que havia entrado na campanha.
O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu para as candidaturas ao Senado pela Bahia um teto de despesas de R$ 5.336.641,85 no primeiro turno. Pelas regras eleitorais, candidatos podem utilizar recursos próprios até o equivalente a 10% do limite de gastos da campanha. E, nas chapas majoritárias, os recursos próprios empregados pelos suplentes são somados aos do candidato titular para verificar esse limite.
Na prática, isso coloca em aproximadamente R$ 533.664,19 o teto de recursos próprios que pode ser aplicado dentro dessa regra pela chapa ao Senado.
Edvaldo Brito foi anunciado oficialmente como primeiro suplente de Wagner em julho, após articulações dentro do PSD, partido que integra a aliança governista na Bahia. Ex-prefeito e ex-vereador de Salvador, ele foi escolhido para ocupar uma posição estratégica: caso Wagner seja eleito e posteriormente deixe o mandato de forma temporária ou definitiva, Brito é o primeiro na linha para assumir a cadeira no Senado.
Agora, além de integrar politicamente a chapa, Edvaldo também passa a ocupar posição central no financiamento da candidatura.
Outro dado que ajuda a dimensionar a operação é o patrimônio declarado pelos integrantes da chapa.
Segundo as informações divulgadas à Justiça Eleitoral, Edvaldo Brito declarou patrimônio de aproximadamente R$ 12,5 milhões. Jaques Wagner, por sua vez, informou possuir R$ 24.522.355,65 em bens.
No caso de Wagner, o patrimônio declarado em 2026 é substancialmente superior aos R$ 3,35 milhões informados quando disputou o Senado em 2018. A maior parcela do patrimônio atual está relacionada a um crédito declarado de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de um imóvel.
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