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Ex-prefeito de cidade na Bahia vira alvo do PT após declarar voto em Lula e ACM Neto

Tiago Dias acusa PT de tentar limitar sua liberdade política, mas processo questiona montagem digital que sugeria aliança entre o presidente e integrantes da oposição baiana

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Ex-prefeito de cidade na Bahia vira alvo do PT após declarar voto em Lula e ACM Neto

O ex-prefeito de Jacobina, Tiago Dias, reagiu nessa quinta-feira, (30), a uma representação eleitoral apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e reafirmou que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em ACM Neto (União Brasil) nas eleições deste ano.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Tiago afirmou ter sido acionado judicialmente em razão de seu posicionamento político e acusou o grupo governista de não respeitar a liberdade de escolha dos eleitores.

“Vou votar em Lula e em ACM Neto, doa a quem doer”, declarou o ex-prefeito.

A reação ganhou repercussão no cenário político baiano e foi interpretada por setores da oposição como uma tentativa do PT de constranger uma liderança que, embora mantenha apoio a Lula na disputa presidencial, decidiu romper com o governador Jerônimo Rodrigues e apoiar ACM Neto para o Governo da Bahia.

Os documentos do processo, entretanto, mostram que a representação não foi apresentada apenas por causa da declaração de voto de Tiago Dias. A ação questiona uma publicação divulgada no dia 15 de julho no perfil do ex-prefeito no Instagram.

O material reunia Lula, ACM Neto, João Roma, Angelo Coronel, Carlos Muniz Filho e Cafu Barreto em uma mesma composição visual, sob a expressão “Esse é nosso time” e acompanhada da legenda “Vamos firmes!”. As figuras políticas apareciam com roupas semelhantes e inseridas digitalmente em um mesmo cenário.

A Federação Brasil da Esperança alegou que a montagem poderia criar a falsa percepção de uma aliança entre o presidente Lula e os integrantes da chapa oposicionista na Bahia. O grupo também sustentou que o conteúdo foi divulgado sem qualquer aviso indicando que se tratava de uma imagem fabricada ou manipulada digitalmente.

No dia 17 de julho, o relator do processo no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, Mhércio Cerqueira Monteiro, concedeu uma liminar determinando que a Meta retirasse a publicação do ar no prazo de 48 horas e suspendesse eventual monetização do conteúdo.

A decisão estabeleceu multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento e determinou o fornecimento dos dados cadastrais relacionados ao perfil. O processo recebeu o número 0600330-90.2026.6.05.0000.

Ao fundamentar a medida, o relator reconheceu que a legislação permite a ampla discussão política, a manifestação de opiniões divergentes e as críticas a agentes públicos. O magistrado considerou, contudo, que essa liberdade não autorizaria a divulgação de uma montagem capaz de atribuir um apoio político inexistente e influenciar a percepção dos eleitores.

A medida tem caráter liminar e não representa uma condenação definitiva de Tiago Dias. O ex-prefeito ainda poderá apresentar defesa e contestar os argumentos da federação partidária durante a tramitação do processo. A decisão pode ser consultada no sistema oficial da Justiça Eleitoral.

Tiago Dias administrou Jacobina entre 2021 e 2024 e construiu sua trajetória política no PCdoB. Depois de perder a tentativa de reeleição e se afastar da base estadual governista, filiou-se ao PSDB e aproximou-se do grupo liderado por ACM Neto.

Em junho, o ex-prefeito anunciou apoio à candidatura oposicionista ao Governo da Bahia. Apesar do rompimento estadual, manteve sua preferência por Lula na disputa presidencial, configurando o chamado voto cruzado. Também passou a apoiar João Roma e Angelo Coronel para o Senado, além de Cafu Barreto e Carlos Muniz Filho nas eleições proporcionais. O posicionamento eleitoral havia sido divulgado antes da controvérsia.

A judicialização acabou oferecendo ao ex-prefeito uma oportunidade para reforçar sua posição e ampliar o desgaste do governo estadual entre eleitores que apoiam Lula, mas rejeitam Jerônimo Rodrigues. O episódio também evidencia a necessidade de separar duas questões: Tiago Dias possui liberdade para declarar apoio a candidatos de grupos diferentes, mas a Justiça avaliará se a montagem utilizada para divulgar suas escolhas ultrapassou os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

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