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Ex-candidato a governador em Sergipe, paraibano quer ser governador da Bahia

Aroldo Felix, de 43 anos disputou o Governo de Sergipe em 2022, recebeu pouco mais de mil votos e agora encabeça a chapa da Unidade Popular na Bahia; página mantida no Facebook ainda o apresenta como candidato sergipano

Por Redação Diário Paralelo5 min de leitura
Ex-candidato a governador em Sergipe, paraibano quer ser governador da Bahia

A disputa pelo Governo da Bahia em 2026 ganhou um personagem que ajuda a colocar em evidência uma característica recorrente das eleições brasileiras: a presença de candidaturas lançadas por partidos de baixa expressão eleitoral, muitas vezes com trajetórias pouco conhecidas do grande público e que chegam às urnas enfrentando o desafio de construir uma base política praticamente do zero.

É o caso de Aroldo Félix de Azevedo Júnior, de 43 anos, escolhido pela Unidade Popular (UP) para disputar o Palácio de Ondina. Professor universitário e dirigente sindical, Aroldo nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e, segundo informações divulgadas quando sua candidatura foi oficializada, reside em Salvador desde 2023. A convenção da UP confirmou ainda Marília Regina, liderança do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), como candidata a vice-governadora.

O detalhe que chama atenção é que, há apenas quatro anos, Aroldo tentava governar outro estado.

Nas eleições de 2022, o professor foi candidato ao Governo de Sergipe, também pela Unidade Popular. Terminou a disputa com 1.044 votos, equivalentes a 0,14% dos votos válidos, ficando entre os últimos colocados na corrida pelo Executivo sergipano.

Agora, quatro anos depois, reaparece como candidato ao governo do estado vizinho e muito mais populoso.

Do eleitor sergipano ao eleitor baiano

A mudança de estado, por si só, não representa qualquer irregularidade eleitoral. Para concorrer em 2026, a legislação exige que o candidato tenha domicílio eleitoral na circunscrição da disputa e filiação partidária regularizados pelo menos seis meses antes do primeiro turno. Neste ano, o prazo terminou em 4 de abril.

A questão, portanto, é muito mais política do que jurídica.

Uma candidatura ao governo pressupõe a apresentação de um projeto para administrar uma unidade da Federação inteira, com conhecimento de suas particularidades econômicas, sociais e regionais. Por isso, a passagem de uma candidatura ao Governo de Sergipe em 2022 para outra ao Governo da Bahia em 2026 inevitavelmente desperta atenção sobre a construção política de partidos pequenos e sobre os critérios utilizados para escolher seus nomes para disputas majoritárias.

Aroldo, no entanto, possui vínculos profissionais antigos com a Bahia. Ele é professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), já atuou no Instituto Federal da Bahia e atualmente integra a direção regional Nordeste III do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, o Andes-SN.

Outro detalhe curioso está na presença digital do candidato.

Em consulta feita nesta quarta-feira (12), a página de Aroldo Félix no Facebook contabilizava apenas 76 seguidores e ainda o apresentava como candidato ao Governo de Sergipe, herança da campanha realizada quatro anos atrás.

A desatualização chama ainda mais atenção porque a própria página já possui publicações recentes relacionadas à atual disputa baiana, incluindo registros de sua participação na cobertura eleitoral promovida pela Rede Bahia.

Aroldo foi entrevistado nessa terça-feira, (11), pela Central de Eleições da Rede Bahia, em uma rodada de sabatinas organizada pela TV Bahia, g1 Bahia e Bahia FM com os postulantes ao Governo do Estado. A participação estava prevista oficialmente no calendário divulgado pelo grupo de comunicação.

Ou seja: enquanto já concede entrevistas como candidato ao Governo da Bahia, uma de suas principais vitrines públicas na internet ainda o apresenta ao visitante como postulante ao comando de Sergipe.

A candidatura também começa o processo eleitoral enfrentando números modestos.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 29 de julho, Aroldo Félix apareceu com 1% das intenções de voto nos cenários estimulados para o Governo da Bahia. O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre os dias 23 e 27 de julho e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA-02331/2026.

O desempenho inicial guarda alguma relação com sua experiência eleitoral anterior. Em Sergipe, apesar de concorrer ao cargo mais importante do estado, Aroldo terminou a eleição de 2022 com somente 1.044 votos.

A própria Unidade Popular reconhece, indiretamente, a posição de alternativa ocupada pela candidatura. Ao oficializar seu nome, Aroldo afirmou que pretende se contrapor aos grupos tradicionais e declarou que sua intenção é construir um governo ouvindo a população. A UP decidiu disputar a eleição baiana sem coligação com outras legendas.

Partidos pequenos têm exatamente o mesmo direito das grandes legendas de apresentar candidatos e defender seus programas perante o eleitorado. A democracia também permite que políticos mudem de domicílio eleitoral e disputem eleições em unidades diferentes da Federação, desde que cumpridas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Mas o caso de Aroldo Félix oferece um retrato incomum: um candidato nascido na Paraíba, que há quatro anos pedia votos para governar Sergipe e que agora se apresenta aos baianos como opção para comandar a Bahia.

Não há ilegalidade nisso. Há, porém, uma questão política legítima para o eleitor avaliar: até que ponto determinadas candidaturas majoritárias representam um projeto efetivamente construído para aquele estado e até que ponto funcionam também como instrumentos para dar visibilidade nacional ou regional a partidos que ainda possuem pequena inserção eleitoral.

Em 2022, Sergipe deu a Aroldo pouco mais de mil votos. Em 2026, será o eleitor baiano quem decidirá qual espaço a candidatura da Unidade Popular terá nas urnas.

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