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Escândalos, investigações e disputas internas ampliam desafios para Rui Costa na corrida pelo Senado

O cenário torna-se ainda mais delicado porque outro dos principais nomes da base governista baiana, o senador Jaques Wagner, também enfrenta desgaste político após ter seu nome associado às investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Escândalos, investigações e disputas internas ampliam desafios para Rui Costa na corrida pelo Senado

Pré-candidato ao Senado pela Bahia, o ex-governador e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa chega ao cenário eleitoral carregando um histórico de controvérsias políticas e investigações que prometem ser exploradas pelos adversários durante a campanha. Embora negue qualquer irregularidade, episódios envolvendo sua gestão continuam produzindo desdobramentos judiciais e políticos.

O caso de maior repercussão permanece sendo a frustrada compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19. Em 2020, quando presidia o colegiado de governadores e comandava o Governo da Bahia, Rui Costa assinou o contrato para a aquisição de 300 respiradores pelo valor de R$ 48,7 milhões. O pagamento foi realizado antecipadamente, mas os equipamentos jamais foram entregues e a maior parte dos recursos públicos continua sem recuperação. A investigação segue em andamento, tendo passado por diferentes instâncias judiciais, enquanto a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República apuram possíveis responsabilidades.

Apesar de o Tribunal de Contas da União ter decidido, em 2025, afastar a responsabilização administrativa de Rui Costa no processo relacionado aos gestores do Consórcio Nordeste, determinando que a apuração prosseguisse em relação à empresa fornecedora, a Hempcare, as investigações criminais continuam tramitando nas instâncias competentes.

Outro episódio que ganhou grande repercussão foi o depoimento prestado por Rui Costa à Polícia Federal em 2022. Na ocasião, ao explicar a contratação da empresa Hempcare — microempresa que atuava na importação de produtos à base de cannabis medicinal e que não possuía experiência na comercialização de respiradores —, o ex-governador afirmou que não percebeu o ramo de atuação da empresa porque não domina a língua inglesa, alegando desconhecer que "hemp" significa maconha e "care", cuidado. A declaração acabou se tornando alvo de críticas e repercutiu nacionalmente.

Mais recentemente, outro foco de desgaste surgiu com as investigações envolvendo contratos da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur). Reportagem exibida pela TV Bahia revelou suspeitas de superfaturamento em cachês pagos com recursos públicos entre 2015 e 2024. Embora as apurações tenham sido divulgadas já durante o governo de Jerônimo Rodrigues, parte significativa dos contratos e procedimentos administrativos investigados teve origem ainda na gestão de Rui Costa.

Segundo a reportagem, os gastos da autarquia alcançaram R$ 1,84 bilhão até 2026, enquanto seu orçamento saltou de R$ 79 milhões, em 2019, para R$ 623 milhões em 2024, crescimento próximo de 700%. A investigação também apontou que apenas quatro produtoras receberam, entre 2023 e 2025, 641 pagamentos que ultrapassaram R$ 58 milhões. Os fatos são objeto de apuração pelos órgãos de controle e, até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre eventuais responsabilidades.

No campo político, Rui Costa também enfrenta dificuldades dentro da própria base governista. Nos bastidores, o ex-governador teria articulado sua volta ao comando do Executivo baiano, buscando inviabilizar uma eventual candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues. A movimentação, entretanto, encontrou resistência entre lideranças do próprio Partido dos Trabalhadores e de partidos aliados, consolidando a permanência de Jerônimo como candidato natural do grupo.

Além da derrota política interna, Rui assistiu ao gradual enfraquecimento de sua influência dentro do governo estadual. Ao longo da gestão Jerônimo, diversos aliados históricos foram substituídos em cargos estratégicos, reduzindo significativamente o espaço político do ex-governador na administração estadual.

O cenário torna-se ainda mais delicado porque outro dos principais nomes da base governista baiana, o senador Jaques Wagner, também enfrenta desgaste político após ter seu nome associado às investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Embora Wagner negue qualquer irregularidade e não haja condenação contra o parlamentar, o episódio amplia a pressão sobre o grupo político que governa a Bahia há quase duas décadas.

Nos bastidores, aliados reconhecem que a relação entre Rui Costa e Jaques Wagner está longe da harmonia demonstrada publicamente. Apesar da longa parceria construída dentro do PT baiano, informações recorrentes nos meios políticos apontam para uma disputa silenciosa por protagonismo e influência sobre os rumos do partido no estado.

Diante desse conjunto de episódios — investigações ainda em andamento, polêmicas administrativas e disputas internas — Rui Costa deverá enfrentar uma campanha ao Senado marcada por forte escrutínio sobre sua trajetória como governador da Bahia. Enquanto seus adversários tendem a utilizar esses casos como principais argumentos eleitorais, o ex-ministro sustenta que não praticou qualquer irregularidade e afirma ser vítima de perseguição política, defendendo que os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes.

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