Política
Em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro se une a Eduardo Cunha e gera contradição no discurso anticorrupção da família
Historicamente, o clã Bolsonaro constrói sua retórica política sob a bandeira do "pulso firme" contra desvios éticos e o combate implacável a políticos envolvidos em escândalos de corrupção

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, encontrou-se nesta terça-feira, (02), com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em Belo Horizonte. O registro do encontro foi publicado pelo próprio Cunha em suas redes sociais. No vídeo, os dois aparecem lado a lado para convidar o público para uma entrevista que o "Filho 01" do ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu a uma rádio local, de propriedade do ex-deputado federal.
O movimento, contudo, carrega uma forte carga de contradição. Historicamente, o clã Bolsonaro constrói sua retórica política sob a bandeira do "pulso firme" contra desvios éticos e o combate implacável a políticos envolvidos em escândalos de corrupção. A aproximação pública com Cunha tensiona esse discurso, dado o histórico do ex-parlamentar.
Eduardo Cunha foi um dos personagens mais influentes e polêmicos da história recente do país. Ele comandou a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, período em que conduziu o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Meses após perder o foro privilegiado devido à cassação de seu mandato, Cunha foi preso preventivamente em outubro de 2016 por ordem da Operação Lava Jato, sob acusações severas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo contas secretas na Suíça e propinas na Petrobras. Embora suas condenações tenham sido anuladas posteriormente pelo STF por questões de competência jurídica, a imagem do ex-deputado permanece fortemente atrelada aos grandes escândalos de desvios de recursos públicos.
Para analistas políticos, a agenda de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais sinaliza uma busca por palanques regionais e apoio de mídia para sua pré-candidatura ao Planalto. No entanto, o preço simbólico do encontro pode cobrar o seu valor na fidelidade do eleitorado bolsonarista mais ideológico, que costuma rejeitar alianças com figuras carimbadas da chamada "velha política".
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